A circulação de listas com nomes de comerciantes e empresários que teriam apoiado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acompanhadas de incentivos ao boicote desses estabelecimentos, provocou reações em cidades do Sul Fluminense. Os relatos envolvem Volta Redonda, Barra Mansa e Vassouras, mas acontece também em outras localidades do Estado do Rio de Janeiro.
Em Volta Redonda, o vereador e deputado estadual eleito Raone Ferreira (PT) afirmou ter recebido informações sobre uma lista que estaria circulando em grupos de WhatsApp. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que sua equipe jurídica acionou o Ministério Público do Trabalho (MPT), além de ter oficiado oficialmente a Câmara de Dirigentes Logistas de Volta Redonda (CDL-VR) a se manifestar sobre o ocorrido e apurar rigorosamente o caso.
A eleição acabou. O momento agora é de união e trabalho por toda a nossa população, protegendo os empregos e quem gera renda no nosso município. Atitudes covardes que tentam destruir o comércio local não serão toleradas – afirmou o vereador.
O Correio Sul Fluminense entrou em contato com a assessoria de imprensa da CDL-VR e o Sicomércio sobre o caso mas, até o fechamento desta edição, não houve retorno.
Barra Mansa
Em Barra Mansa, a Associação Comercial, Industrial, Agropastoril e Prestadora de Serviços (ACIAP BM) se manifestou sobre o ocorrido por meio de uma nota de repúdio ao movimento de boicote. No comunicado, a entidade afirma que nenhum empreendedor deve ser alvo de constrangimento, perseguição ou retaliação econômica por suas convicções políticas. Ainda, relatou preocupação sobre esta onda.
– Transformar divergências em boicotes prejudica o ambiente de negócios, enfraquece o comércio e pode afetar toda a cadeia econômica, incluindo trabalhadores e fornecedores. A Aciap-BM reafirma seu compromisso com a liberdade, o respeito à pluralidade e a defesa do empreendedorismo – concluiu.
Vassouras
Em Vassouras, o mesmo cenário também acontece. Em suas redes sociais, o empresário e palestrante Vinicius Rezende se manifestou contra a divulgação de listas de comerciantes que teriam apoiado candidatos do PT, e, ainda, acompanhadas de pedidos para que consumidores deixem de frequentar esses estabelecimentos.
– Quem já enfrentou as dificuldades de empreender sabe o quanto é doloroso ver um estabelecimento fechar as portas, perder empregos e comprometer o sustento de famílias inteiras. É compreensível que as pessoas estejam chateadas ou insatisfeitas com o cenário político. O que não podemos é permitir que a indignação se transforme em perseguição ou em tentativas de prejudicar trabalhadores e empresários por suas posições políticas – frisou.
Agulhas Negras
A reação também chegou à região por meio da 18ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que abrange Resende, Itatiaia e Porto Real. Em nota, a OAB apontou que práticas de constrangimento, intimidação ou discriminação por posicionamento político são incompatíveis com os princípios democráticos e com as liberdades individuais.
– A democracia pressupõe pluralidade, respeito às diferenças e liberdade de pensamento. Divergências políticas não podem justificar perseguições ou ameaças ao exercício da cidadania e da atividade profissional – destacou.