Crise de segurança coloca o comando da PM em debate

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Coronel Menezes fala de crises sem precedentes na segurança pública de VR. Foto: Divulgação
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Deputado eleito questiona nomeação de Takamine em meio à crise de violência e defende um oficial mais ecperiente para comandar o 28º BPM

A escalada da violência em Volta Redonda e a disputa territorial entre facções criminosas motivaram a visita do deputado estadual eleito Coronel Menezes (PL) ao município. Durante sua passagem pela cidade, o parlamentar avaliou a atuação das forças de segurança, questionou a escolha do comando do 28º Batalhão de Polícia Militar (28º BPM), atualmente nas mãos do tenente-coronel Décio Keiji Takamine, e defendeu uma resposta mais efetiva do Estado para restabelecer a tranquilidade da população.

A avaliação foi feita, nesta quarta-feira, dia 04, em entrevista ao programa Fato Popular, comandado por Betinho Albertassi, na Rádio 88. Após a entrevista, Menezes foi ao gabinete do prefeito Antonio Francisco Neto, mas o teor da conversa não foi revelado. A assessoria de imprensa informou ao Correio Sul Fluminense que Menezes fez “somente uma visita” ao prefeito.

Durante a entrevista na Rádio 88, Menezes demonstrou preocupação com a condução da segurança pública em um momento delicado. Na avaliação dele, a escolha de um oficial que está em seu primeiro comando para dirigir o 28º BPM durante uma crise dessa dimensão, pode representar um desafio adicional para a corporação.

  • Eu acredito que houve um equívoco de análise no sentido de você colocar um oficial que está no primeiro comando dele, e num momento de crise, eu acho que a cidade merecia um oficial mais experiente – afirmou, referindo-se ao tenente-coronel Décio Keiji Takamine.

O deputado eleito, entretanto, fez questão de reconhecer o empenho do atual comandante. Para ele, a discussão não deve ser interpretada como uma crítica pessoal ao oficial, mas como uma avaliação sobre o perfil mais adequado para conduzir a segurança de uma cidade do porte de Volta Redonda.

CORONÉIS APARECEM NO DEBATE SOBRE O COMANDO

Durante a entrevista, Menezes foi questionado pelo jornalista Betinho Albertassi sobre o coronel Marcelo de Castro Corbage, ex-comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), e sobre sua eventual indicação para assumir o comando do 28º BPM neste momento de crise.

Corbage ganhou projeção nacional à frente da tropa de elite da Polícia Militar do Rio. Em outubro de 2025, comandou a Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na capital fluminense, que terminou com 122 mortos. Sua experiência em operações de grande complexidade foi mencionada na discussão sobre o perfil de oficial que poderia conduzir o enfrentamento às facções em Volta Redonda.

Outro nome apontado como possível alternativa é o do coronel Luiz Henrique, ex-secretário municipal de Ordem Pública e candidato a deputado federal. O conhecimento da realidade local, a experiência administrativa e a atuação anterior na estrutura de segurança do município são considerados diferenciais para uma eventual participação no processo de reorganização da segurança pública.

Menezes também destacou a importância de a corporação considerar oficiais que tenham identidade com a região e conhecimento aprofundado de suas particularidades. Para ele, essas características poderiam favorecer uma reação mais rápida e eficaz diante da crise.

INTELIGÊNCIA E ENFRENTAMENTO ÀS FACÇÕES

Na entrevista, Menezes também defendeu a intensificação do enfrentamento às organizações criminosas. Para ele, as operações policiais precisam ser precedidas de planejamento, levantamento de informações e uso de ferramentas de inteligência.

O parlamentar defendeu a identificação das posições ocupadas pelas facções e uma atuação capaz de desmobilizar os grupos criminosos. Na avaliação dele, o Estado precisa demonstrar presença e autoridade para impedir o avanço das organizações.

CRISE SEM PRECEDENTES

A crise em Volta Redonda é de grandes proporções e registra, há mais de uma semana, confrontos no Complexo da Vila Brasília, com mortes, restrições à circulação de moradores e reflexos em outros bairros. O cenário também foi agravado pela investigação sobre a possível participação de policiais militares na entrada do comboio criminoso.

A cobrança por respostas mais efetivas das autoridades estaduais cresce à medida que a população enfrenta insegurança e mudanças na rotina. Para Menezes, o objetivo central deve ser garantir que o município recupere a tranquilidade e que o Estado consiga impedir a consolidação do domínio territorial das facções.