Seguro-fiança cresce como alternativa para garantia de aluguel residencial
Por Agatha Amorim
O mercado de locação imobiliária permanece aquecido na região Sul Fluminense, especialmente em Volta Redonda, que tem registrado alta procura, principalmente por casas. De acordo com o corretor Rogério Pacífico, da Imobiliária Nacelli, a demanda supera a oferta em diversos momentos, especialmente nas áreas mais valorizadas da cidade.
Segundo ele, quando uma casa é disponibilizada para aluguel, o imóvel costuma ser fechado em poucos dias. “Quando aparece uma casa, ela é locada muito rápido, às vezes em dois dias, e ainda temos clientes que ficam aguardando”, afirma. A situação revela um desequilíbrio entre oferta e procura nesse tipo de imóvel.
Entre os bairros mais buscados estão Aterrado, Jardim Amália, Vila Santa Cecília, Jardim Belvedere, Vila Rica (Tiradentes), Retiro e Vila Mury. Nessas localidades, a rotatividade tem sido mais ativa, principalmente para imóveis residenciais destinados a famílias, trabalhadores transferidos e estudantes.
Casas lideram preferência e pressionam oferta
De acordo com o corretor, o perfil predominante dos interessados é formado por estudantes e profissionais que chegam à cidade por transferência de trabalho. Além disso, muitas pessoas optam inicialmente pelo aluguel antes de decidir pela compra de um imóvel.
“Tem muita gente que vem de fora e prefere alugar primeiro para conhecer a região, ver como é a convivência, antes de comprar”, explica. Além disso, parte do público escolhe a locação como forma de preservar a reserva financeira, evitando o pagamento de entrada exigido em financiamentos imobiliários.
Em reportagem publicada em janeiro pelo Correio Sul Fluminense, especialistas do setor já apontavam que, mesmo diante da manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado ao longo de 2025, o mercado imobiliário mantinha boas expectativas para 2026. A avaliação era de que, apesar do encarecimento do crédito habitacional, a demanda por imóveis não havia sido retraída de forma significativa, especialmente em cidades de médio porte. O cenário, segundo a análise apresentada à época, indicava que a locação poderia ganhar ainda mais força enquanto o financiamento permanecesse menos acessível para parte da população.
A preferência por casas também está relacionada ao estilo de vida. Segundo Rogério, há uma busca crescente por maior privacidade e individualidade, fatores que impulsionam a escolha por imóveis independentes em vez de apartamentos.
Em relação aos valores, a média varia conforme o perfil do locatário, do imóvel e da localização. As casas mais procuradas costumam ter aluguel em torno de R$ 1.600, enquanto apartamentos ficam na faixa de R$ 1.300, a depender do valor do condomínio. Mesmo imóveis com aluguéis mais elevados, os que estão na faixa de R$ 5 mil, têm sido negociados em prazo considerado rápido pelo mercado.
Seguro-fiança avança e pode superar fiador
Com o mercado aquecido, as exigências de garantia também seguem critérios rigorosos. Atualmente, a modalidade mais utilizada ainda é o fiador, geralmente com a exigência de dois nomes, sendo que um deles deve possuir imóvel próprio.
No entanto, o seguro-fiança tem ganhado espaço. Segundo o corretor, muitos clientes optam pela modalidade por não conseguirem apresentar fiador ou por preferirem não depender de terceiros. “Hoje atendemos muita gente que não consegue fiador ou não quer pedir para alguém assumir essa responsabilidade. Por isso, o seguro-fiança vem crescendo”, afirma.
Ele acredita que, pela facilidade, a tendência é de expansão dessa modalidade nos próximos anos. “Com a crescente demanda, creio que o seguro-fiança pode ultrapassar a utilização dos fiadores”, projeta.
As garantias locatícias são previstas na Lei do Inquilinato, mas o comportamento do mercado tem mostrado adaptação às novas realidades econômicas e ao perfil dos locatários.
Para Rogério, o cenário de alta procura deve se manter, especialmente enquanto houver fluxo de novos moradores e profissionais chegando à cidade.