Estudantes afirmam que a instituição apresenta falhas que dificultam permanência
Por Lanna Silveira
Os alunos do campus Volta Redonda do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) vêm utilizando suas redes sociais para levantar uma série de críticas sobre a instituição. As questões abordadas pelos estudantes, que vão de atrasos em pagamentos de bolsa auxílio até defeitos de estrutura que já causaram perdas materiais, se tratam de aspectos importantes na garantia de permanência desses alunos na rede de ensino. Para saber mais sobre a realidade do campus, o Correio Sul Fluminense conversou com duas estudantes do Ensino Superior, que preferiram manter anonimato.
Atraso no auxílio estudantil
Em março deste ano, o perfil oficial de um dos diretórios acadêmicos da instituição realizou uma postagem de denúncia ao atraso no pagamento do auxílio estudantil referente ao primeiro semestre de 2026. Segundo o regulamento do IFRJ, o benefício é oferecido a alunos, por meio de seleção, para subsidiar despesas relacionadas a necessidades básicas como alimentação, transporte, moradia e outras relacionadas às atividades acadêmicas.
Quase dois meses se passaram desde a reclamação pública do diretório; segundo as entrevistadas, o auxílio ainda não foi repassado aos alunos e a previsão da reitoria é de que os retroativos dos meses em atraso sejam pagos entre os dias 12 e 15 de junho. As estudantes reforçam, entretanto, que o tempo sem auxílio já causou prejuízos aos alunos beneficiados.
— Infelizmente, muitos estudantes não podem esperar. Temos colegas que estão sem ir assistir às aulas porque não podem pagar o transporte até o campus, dependem do auxílio. Assim como muitos estudantes da graduação também precisam do auxílio moradia e alimentação pra se manter em outra cidade – explicam.
Como parte do Diretório Acadêmico, as estudantes afirmam que esses atrasos são recorrentes e que o corpo estudantil sempre mantém diálogo com a reitoria para buscar explicações. Segundo elas, a justificativa sempre é atrelada a problemas de orçamento, sem explicações verdadeiramente esclarecedoras.
Necessidade de reformas
Em novembro de 2025, o Correio Sul Fluminense recebeu reclamações de alunos da instituição sobre inúmeros problemas graves na estrutura do campus. O principal deles eram goteiras e infiltrações, que causam inundações em salas de aula em dias de chuva forte. Outras reclamações feitas na época foram sobre projetores e fontes de luz defeituosas em salas de aula; a interdição de uma das salas devido ao desabamento do teto (outras salas também apresentam forros que estão quase caindo); e o acúmulo de entulho ao longo do campus.
Cerca de seis meses após essas denúncias, as estudantes entrevistadas afirmam que todas as falhas apontadas não foram consertadas; inclusive a sala interditada pela queda de teto e as goteiras, que já causaram perdas de materiais didáticos.
— As goteiras e infiltrações acontecem simultaneamente na estrutura inteira. Em um dia de chuvas, você se molha menos se andar fora dos corredores, que alagam. O forro estufa e o mofo vem se espalhando cada mais. O lugar que mais gera o sentimento de revolta de ter chegado nesse ponto é a biblioteca: no último período de chuvas perdemos alguns livros. Além do risco de perdermos nossos computadores também, que ficam perto das parede — expõem as alunas.
As alunas explicam que, na semana passada, foi visto um “início de movimentação” para a reforma dos telhados do campus, com os forros de uma parte dos corredores sendo retirado e alguns telhados substituídos. Entretanto, elas esperam que mais reformas ainda sejam feitas. Em novembro do ano passado, a diretoria do campus afirmou que o cronograma de reformas de telhados já havia sido iniciado.
Pedido por refeitório
Uma das maiores reivindicações dos estudantes é pela instalação de um Restaurante Universitário (RU) no campus – outra medida de permanência estudantil que oferece alimentação à comunidade acadêmica. A ausência de um RU se destaca a partir de outras insuficiências do campus: o refeitório da instituição é pequeno e não atende a quantidade de alunos. As alunas entrevistadas afirmam que o andamento dessa proposta ainda é incerto: a verba para a construção do RU já foi conquistada, mas ainda existe uma limitação física no campus que exige uma série de planejamentos para implementar um novo espaço.
A forma como o projeto será executado foi desenhada pela diretoria do campus em novembro do ano passado, também em entrevista ao Correio Sul Fluminense. Segundo a equipe, o projeto de instalação do RU já foi finalizado e aguarda o fim dos trâmites necessário para ser iniciado. O espaço será viabilizado a partir da adaptação do espaço da cantina que já existe no campus.
Esclarecimentos
O Correio Sul Fluminense entrou em contato com a diretoria do IFRJ-VR para buscar esclarecimentos sobre as denúncias dos alunos. Não foi enviado retorno até o fechamento da edição; assim que enviado, o pronunciamento será publicado.