Vale retoma operações parciais em MG após vazamento

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Área teve vazamentos em janeiro e agora foi liberada para operar parcialmente. Foto: Reprodução

Vazamento de rejeitos chegou a atingir área da CSN em cidade mineira

O Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) concedeu à Vale autorização para retomar as operações parciais da mineradora em Minas Gerais. A decisão foi dada oito meses depois do registro de um vazamento de água e rejeitos ocorrido em 25 de janeiro. Desde então, os serviços da empresa, que chegou a ser multada em mais de um milhão pelo governo do Estado de MG, estavam totalmente paralisados. Na ocasião, o vazamento atingiu uma área da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) Mineração, perto da Vale.

A autorização do TJMG permite as operações da Mina de Fábrica, produtora de minério de ferro, em Ouro Preto, região metropolitana de Belo Horizonte. Para isso, a Vale assinou um termo de compromisso com o Ministério Público Estadual e o governo de Minas Gerais. De acordo com a mineradora, a reativação “observará as condições de segurança, controle ambiental, licenças, autorizações e condicionantes aplicáveis, bem como a continuidade das ações previstas no termo de compromisso”. A companhia informou ainda que a volta da operação não altera as projeções de produção vigentes.

Entenda o caso

O vazamento ocorrido em janeiro deste ano apavorou moradores. Só para se ter uma ideia do estrago, uma das cavas – área escavada para retirar minério ou outro material – da mina atingiu cursos d’água responsáveis por alimentar o rio Paraopeba, levando ao assoreamento de córregos e danos à vegetação. A lama chegou ainda ao rio Goiabeiras, que atravessa parte da área urbana da cidade. Escaparam quase 263 mil metros cúbicos de água turva. Ou seja: um volume equivalente a cerca de 105 piscinas olímpicas.

‘Falha no sistema’, diz MP

O caso envolveu o Ministério Público que sustentou ter havido falha no sistema de drenagem do reservatório da mina. E mais: também em janeiro, mais precisamente no dia 26, a Vale foi responsável por outro vazamento. Deessa vez, na Mina de Viga, na histórica cidade de Congonhas-MG.

Vale nega problema

Em nota divulgada na ocasião, a Vale informou que não houve feridos e que a população e as comunidades do entorno não foram afetadas”. Acrescentou ainda que não houve carreamento de rejeitos de mineração, apenas água com sedimentos (terra). A Agência Nacional de Mineração (ANM), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, fez coro às declarações da empresa e afirmou que os vazamentos não comprometeram as estruturas de barragens.

Mineradora negou vistoria

Um mês após o vazamendo, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais foi impedida de entrar na Mina de Viga, em Congonhas, e na Mina de Fábrica, em Ouro Preto, ambas da Vale. Na época, a empresa alegou serem necessárias adequações na área antes de receber as equipes da Assembleia.

O motivo da visita era verificar as condições de segurança das estruturas minerárias, diante dos extravasamentos de rejeitos que ocorreram em janeiro de 2026, bem como os riscos à segurança da população, dos territórios e do meio ambiente.

– Após dois grandes crimes envolvendo a mineração no Estado, um deles protagonizado pela Vale, acho que a empresa deveria ter um pouco mais de atenção com o tema – disse a deputada Beatriz Cerqueira (PT), que pediu a visita em ambas instalações da Vale.

*Com informações da Agência Brasil e da ALMG