Terceirizadas da CSN são alvos de denúncia de agressão

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Vítima afirma que homem da CBSI, terceirizada da CSN, a agrediu com uma 'ombrada'. Ela buscou o setor de compliance e, sem retorno, deu sequência a uma denúncia na Deam. Foto: Divulgação

Funcionária faz registro na Deam e empresas não se manifestam; CSN de MG também é acusada de assédio

Após uma funcionária denunciar que foi vítima de assédio sexual na Usina Presidente Vargas, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, outra denúncia envolvendo a empresa foi feita. Uma funcionária que trabalha na Sodexo – terceirizada que fornece alimentação na UPV – afirma que foi vítima de agressão física de um funcionário da Companhia Brasileira de Serviços de Infraestrutura (CBSI), também prestadora de serviços à CSN.

O caso teria ocorrido há pouco mais de um mês: em julho. O suposto agressor vinha importunando a vítima verbalmente até que a agrediu com uma ‘ombrada’. Assustada, a mulher saiu do local chorando e procurou atendimento médico na Santa Casa de Misericórdia, em Barra Mansa. Mesmo após o episódio, o agressor ainda teria tentado contatar a vítima novamente no local de trabalho e não a encontrou por ela ter ficado três dias afastada.

Abertura de compliance

A vítima abriu uma reclamação formal no setor de compliance da empresa, responsável por assegurar o cumprimento das leis e regimentos internos. Em reunião, foi feita a apuração da violência por meio de funcionários que presenciaram o fato, além da conferência das imagens das câmeras de monitoramento.

– Foi solicitado um vídeo e vimos que, de fato, aconteceu a violência. Ele deu uma ombrada nela e saiu rindo. Fomos à Santa Casa, foi feito o prontuário e não demos sequência na queixa com medo de ela ser demitida, pois acreditamos que a CSN iria resolver a situação. Só que ela não recebeu nenhum suporte e não houve nenhuma providência – relatou o marido da vítima, que também trabalha no setor.

A vítima teria sido chamada apenas uma vez e não houve ação da empresa sobre o caso. Sem retorno, decidiram oficializar o ocorrido por meio de um Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam) de Volta Redonda para dar sequência a um inquérito policial.

Outra denúncia

Após a repercussão do primeiro caso divulgado pelo Correio Sul Fluminense, uma funcionária do complexo Casa de Pedra e Pires, da CSN Mineração em Congonhas (MG), também entrou em contato com a Redação para relatar que teria sido desligada após episódios de assédio sexual e moral no local de trabalho.

– Eu sofri assédio de um manobrador e, por dois anos, também venho sofrendo assédio moral. Hoje, retornando ao meu trabalho, fui desligada. Estou no meio de um tratamento com psiquiatra e não quiseram me ouvir, amanhã irei fazer o demissional. Eu só sei chorar – disse.

Ela afirmou que, na época do assédio, foi ao compliance para registrar formalmente da situação e após a denúncia, foi alvo de retaliação pelos parceiros de trabalho.

– Fui chamada de feia, de gorda, de mãe solteira. Não adianta denunciar no compliance. Ele [assediador] continua lá. Ainda escutei dos meus próprios líderes que eu dei brecha, que dei mole. Fui muito humilhada – disse.

O que diz a CSN e Sodexo

O Correio Sul Fluminense entrou em contato com as assessorias de imprensa da Sodexo, da CSN de Volta Redonda e de Minas Gerais para pedir esclarecimentos acerca dos casos de violência e assédio. Até o fechamento da edição, na sexta-feira (21), não houve retorno.