Operação fecha certo contra facção criminosa que avança em Paraty

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Caiçaras estão entre os proprietários de estabelecimentos que teriam sido alvo de cobranças e ataques. Foto: DIvulgação

Apuração reúne relatos de extorsões, ameaças e incêndios contra comércios

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) obteve 29 mandados de busca e apreensão contra pessoas investigadas por suspeita de integrar o Comando Vermelho em Paraty, na Costa Verde. As ordens judiciais foram cumpridas na quarta-feira (16) pela Polícia Civil em endereços localizados em Paraty, Angra dos Reis, Nova Iguaçu, na capital fluminense e em dois presídios.

A ação foi realizada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), pelo Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e pelo 5º Departamento de Polícia de Área (5º DPA). A investigação é conduzida pela DRE, pela 1ª Promotoria de Justiça de Paraty e pelo GAECO/MPRJ e apura a atuação da facção criminosa no município.

Segundo as investigações, o grupo teria ampliado sua presença em diferentes áreas da cidade, com registros de aumento de extorsões contra comerciantes e prestadores de serviços, expansão do tráfico de drogas e da circulação de armas e ocorrência de episódios de violência extrema.

O inquérito também aponta que o Centro Histórico de Paraty não estaria sob domínio territorial ostensivo da organização. No entanto, áreas próximas, como a Ilha das Cobras, seriam utilizadas pelo grupo como ponto estratégico para armazenamento, preparo e distribuição de drogas. O local também seria alvo da cobrança de valores ilícitos relacionados à prestação de serviços.

As apurações incluem relatos de incêndios provocados em estabelecimentos comerciais cujos proprietários teriam se recusado a pagar as chamadas “taxas” cobradas por traficantes. Entre os estabelecimentos atingidos estariam comércios pertencentes a caiçaras, população tradicional da região.

Também foram registrados, segundo o GAECO/MPRJ, episódios de ameaças de morte contra vítimas e testemunhas, além de casos de pessoas que teriam sido expulsas de suas próprias residências.

As investigações apontam Marcel Espírito Santo Souza, conhecido como “Cebolão”; João Pedro Ferreira Francisco, o “JP”; e Marcelo Silva de Melo Dutra Júnior, o “Marcelinho”, como integrantes da liderança da organização investigada. Os três estão presos e, a pedido do Ministério Público, a Justiça determinou a transferência deles para uma penitenciária de segurança máxima.

A medida faz parte das providências adotadas durante a investigação, que busca reunir provas e outros elementos sobre a atuação da organização criminosa em Paraty.

Os nomes dos demais investigados e da empresa mencionada no inquérito não foram divulgados devido ao sigilo das investigações, que permanecem em andamento.