Eleições aquecem os setores de comércio, serviços e alimentação

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Contratações temporárias e a movimentação de equipes de campanha também ampliam a procura por transporte, hospedagem, alimentação, logística e combustíveis.. Foto: Divulgação

Empresas podem registrar alta na demanda durante o período de campanha

O período eleitoral movimenta diferentes setores da economia e pode ampliar temporariamente a demanda por produtos, serviços e mão de obra nas cidades. Durante as campanhas, pequenas e médias empresas ligadas ao comércio e à prestação de serviços podem registrar aumento no faturamento com a contratação de atividades relacionadas à disputa eleitoral.

Segundo o especialista em Gestão Júlio Alvarenga, a circulação de recursos dos fundos eleitorais e partidários e de doações privadas destinadas às campanhas contribui para esse aquecimento. A utilização das verbas por partidos e candidatos acaba alcançando diferentes setores da economia durante o período.

Entre os segmentos diretamente impactados estão gráficas e empresas de comunicação visual, responsáveis pela produção de materiais utilizados nas campanhas, como panfletos, santinhos, faixas, adesivos para veículos, camisetas e bandeiras. De acordo com Alvarenga, esses estabelecimentos podem registrar picos de faturamento enquanto durar a corrida eleitoral.

O aumento da procura também chega ao setor de serviços digitais e à produção de conteúdo. Agências de marketing, videomakers, editores e consultores de dados estão entre os profissionais que podem receber mais demandas durante as campanhas.

Outro impacto ocorre na geração de trabalho temporário. Cabos eleitorais, panfleteiros, motoristas e equipes de segurança estão entre os profissionais contratados durante o período. A movimentação de candidatos, comitês e equipes também pode aumentar a procura por serviços de logística, eventos, hotelaria e alimentação.

Segundo o especialista, os deslocamentos relacionados às campanhas podem resultar em maior ocupação de hotéis, aumento do consumo em pequenos restaurantes e maior demanda por combustíveis nos postos das cidades.

Apesar do aumento temporário na movimentação econômica, Alvarenga chama atenção para a necessidade de planejamento por parte dos empreendedores. O crescimento da demanda está diretamente ligado ao calendário eleitoral e tende a terminar com o encerramento das campanhas.

O especialista avalia que o faturamento adicional pode representar uma oportunidade para melhorar o caixa das empresas, mas alerta para o risco de o negócio assumir despesas considerando que o volume de vendas será mantido posteriormente. Segundo ele, empresas que não se preparam para a redução do movimento podem enfrentar dificuldades após as eleições.

Uma das recomendações é economizar parte do lucro obtido durante o período. Alvarenga orienta que os empreendedores reservem entre 30% e 40% do valor adicional para enfrentar a retomada da rotina normal de vendas depois das campanhas.

O controle do estoque também deve fazer parte do planejamento. O aumento da procura pode exigir uma quantidade maior de produtos, mas o especialista alerta que o excesso pode resultar em prejuízos posteriormente. Mercadorias que deixam de ser vendidas representam recursos que permanecem parados no negócio.

Outra orientação é aproveitar os novos clientes conquistados durante o período eleitoral. Para Alvarenga, empresas podem buscar transformar uma relação comercial temporária em uma oportunidade de fidelização. A qualidade do produto ou serviço, o atendimento e o uso de estratégias como cartões de fidelidade são apontados como formas de estimular o retorno desses consumidores.

O lucro obtido durante as campanhas também pode ser direcionado para outros períodos de maior consumo. O especialista cita a Black Friday e o Natal, datas próximas ao fim do calendário eleitoral e que exigem preparação dos comerciantes para compras e formação de estoque.