O vereador Rodrigo Furtado, do PL, utilizou a tribuna da Câmara Municipal de Volta Redonda para manifestar seu repúdio ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última semana. Segundo o vereador, houve desvio da finalidade cultural do Carnaval, com utilização do espetáculo – que é mundialmente conhecido – “para promoção político-partidária, que em sua avaliação, pode configurar propaganda eleitoral antecipada”.
Em sua fala, Rodrigo Furtado destacou que não é contrário ao financiamento público do Carnaval, reconhecendo a importância cultural, social e econômica da festa. No entanto, afirmou que recursos públicos não podem ser utilizados para autopromoção política e nem para transformar manifestações culturais em instrumentos eleitorais. “Se há dinheiro público, há dever de respeito ao interesse coletivo, e não a projetos pessoais de poder”, declarou.
O vereador também criticou encenações apresentadas durante o desfile que, segundo ele, ultrapassaram o campo da crítica política e entraram no terreno do ataque pessoal e da polarização. Para Furtado, a utilização de representações caricatas de adversários políticos em um evento cultural financiado direta ou indiretamente com recursos públicos é incompatível com os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa.
Intolerância religiosa
Outro ponto enfatizado por Furtado foi a chamada intolerância religiosa. Em seu pronunciamento, Furtado afirmou que manifestações que ridicularizem a fé de qualquer grupo religioso não podem ser tratadas como mera liberdade artística. “A liberdade de expressão não pode servir de escudo para desrespeito à crença de milhões de brasileiros”, disse, acrescentando que situações dessa natureza devem ser apuradas pelas autoridades competentes.
O vereador informou ainda que formalizou a Nota de Repúdio, solicitando esclarecimentos sobre eventuais fontes públicas de financiamento do desfile, além de retratação pelos conteúdos considerados ofensivos.
Furtado afirmou ainda que irá protocolar uma notícia-crime junto ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e ao Ministério Público Federal (MPF), para que sejam apurados, na forma da lei, possíveis ilícitos relacionados ao desfile, tanto por parte da agremiação quanto de eventuais envolvidos citados no contexto do evento.