Acidente aconteceu no bairro Santa Cruz e envolveu um adolescente de 16 anos
Por Redação
A comunidade de ciclistas de Volta Redonda se uniu à família de uma vítima de atropelamento e pede agilidade nas investigações e melhorias nas vias públicas, voltadas para este público. O acidente aconteceu no dia 2 de fevereiro. A vítima, que tinha 16 anos, morreu antes que o socorro chegasse. O adolescente estava acompanhado de um amigo, que testemunhou o acidente e não foi atingido.
Para a família da vítima, o sofrimento após a perda do adolescente está sendo invisibilizado e agravado com a demora nas investigações. Em conversa com o Correio Sul Fluminense, a mãe da vítima, Angélica, afirmou não ter sido contatada pela Delegacia de Polícia de Volta Redonda para receber informação ou orientação sobre as investigações. Ela alega, ainda, que compareceu à DP logo após um suspeito se apresentar aos policiais e, mesmo assim, não recebeu informações claras sobre o andamento do caso. “Só me disseram para ‘esperar o juiz'”, acrescentou.
Segundo a apuração do portal G1, o suspeito teria informado à Polícia Civil que não omitiu socorro à vítima: em seu depoimento, ele informou que parou o veículo, pediu por socorro e somente deixou o local após a chegada das equipes, por medo de represálias. Angélica, entretanto, confronta o relato do suspeito.
– Isso é mentira, ele não socorreu em momento algum. [O amigo da vítima] foi quem tentou socorrer. Ele tentou acordar o meu filho e ele não acordou. [O amigo] chegou a pedir ajuda para outros colegas da vítima, que também foram lá tentar socorrer, mas ele já estava morto – alega Angélica.
A Secretaria Municipal de Ordem Pública conseguiu, no dia 5 de fevereiro, as imagens do momento do acidente. O vídeo já foi encaminhado para a Polícia Civil para avaliação. “Eu quero que a justiça seja feita. Não desejo para ninguém a dor que estou passando. Era um menino que tinha sonhos e teve sua vida interrompida. Minha vida também acabou. Dói saber que o culpado ainda está solto”, lamenta Angélica.
Falta de mobilidade a ciclistas
No momento do acidente, a vítima e seu amigo voltavam para casa de bicicleta; um fato que reacendeu a discussão sobre a falta de segurança para ciclistas nas vias públicas. As bicicletas têm se tornado um meio de transporte cada vez mais utilizado entre a população, e isso exige que as cidades se adaptem para garantir mobilidade e segurança aos ciclistas. Enquanto grandes capitais fizeram esforços para incluir o modal em projetos de mobilidade urbana – como São Paulo, que possui quase 700 quilômetros de vias com tratamento cicloviário – o processo ainda é lento em cidades interioranas.
“Pela quantidade de pessoas que circulam de ‘bike’ na cidade, o que está disponível não é suficiente, e as poucas que têm não oferecem segurança ou sinalização para que motoristas saibam que aquele espaço é destinado a bicicletas. O que temos aqui são algumas ciclofaixas mal pintadas, e ciclovias sem manutenção na Beira Rio e na região da Ponte Alta. Toda a estrutura de trânsito é voltada para veículos de quatro rodas, e os motoristas nos tratam como se fôssemos intrusos”, explicou um ciclista, em entrevista ao Correio Sul Fluminense.
André Vaz, que é um dos membros do coletivo Bike Anjo e da União de Ciclistas do Brasil, acredita que, mesmo com implementações cicloviárias recentes em Volta Redonda, a cidade ainda precisa de um plano cicloviário mais complexo.
Ele acrescenta, ainda, a necessidade de campanhas de educação de trânsito; fiscalização ostensiva nas ciclovias; maior treinamento de reciclagem dos agentes de segurança e revisão de protocolo para acidentes de trânsito; e maior rigor e transparência nas investigações de casos de acidente. André ressalta que, no trânsito, a norma é que “o maior protege o menor”; logo, a direção de motoristas de veículos maiores, como carros, sempre deve se atentar à segurança de vulneráveis, como ciclistas e pedestres.
– Tem carros estacionados na calçada, carros nas ciclofaixas (…). Guardas e policiais passam e somente ignoram. Tem poucas câmeras e quase nenhum policiamento. As vias estão esburacadas e sem sinalização, as calçadas sem espaço para as pessoas. São ciclistas e pedestres expostos a riscos, tendo que disputar espaço com carros nas vias. Isso aumenta a insegurança e traz confiança na impunidade.
Para André, quaisquer investimentos que a prefeitura faça para melhorar a qualidade do modal devem ser feitas em diálogo com a comunidade de ciclistas de Volta Redonda, por meio de pesquisas, contagem de ciclistas e articulação com a população e outros órgãos públicos.
O ativista também espera que a população reconheça a necessidade de ter uma participação mais ativa nas discussões sobre o tema. “É necessário participar, seja cobrando associações de moradores, acionando vereadores, denunciando irregularidades ou até mesmo indo ao Ministério Público”, exemplifica.