Não é só ‘boas vindas’. É socializar e capacitar o seu novo funcionário
Por Carolina Galdeano
Você já teve aquela sensação de que “choveu currículo”, você escolheu a dedo, mas o funcionário não durou um mês? Nas colunas anteriores, falamos sobre a quebra do pacto de confiança e como atrair a pessoa certa. Mas o jogo não termina na assinatura da carteira.
Na verdade, ele começa ali. O primeiro dia de um novo colaborador é um momento de grande ansiedade e expectativa diante do novo desafio. E, infelizmente, é onde muitas empresas falham por acreditar que “dar as boas-vindas” é apenas mostrar onde fica o banheiro, dizer o que ele tem que fazer e entregar o uniforme.
Integração e Onboarding
A integração é o antídoto para a rotatividade precoce. Pesquisas indicam que um colaborador decide, inconscientemente ou conscientemente, se permanecerá na empresa a longo prazo nos primeiros 90 dias. Se esse início for confuso, sem suporte ou solitário, a semente da demissão é plantada antes mesmo da primeira folha de pagamento. Integrar não é um evento de uma hora; é um processo estruturado que combina o que chamamos de Integração (a socialização cultural) e Onboarding (a capacitação técnica).
Imagine que sua empresa é uma engrenagem. O novo funcionário é uma peça nova que chega. Se você simplesmente a joga lá dentro sem lubrificação e sem ajuste, ela vai travar ou quebrar as outras. A integração é essa lubrificação. É o momento de apresentar não só o “que” fazer, mas “quem somos” e o “porquê” fazemos o que fazemos. É apresentar os valores na prática. Se você diz que preza pela segurança, mas no primeiro dia o funcionário vai para o chão de fábrica sem o EPI adequado porque “o almoxarifado está fechado”, você acabou de quebrar o pacto de confiança.
‘Tríade’ de sucesso
O sucesso dessa jornada depende de uma tríade: o RH (que coordena o processo), o Gestor Direto (que é o mentor principal) e o próprio Colaborador (que deve ser protagonista da sua adaptação).
Para o empresário na realidade da micro e pequena empresa, que muitas vezes acumula várias funções, a dica é: não tente fazer tudo sozinho, participe de alguma parte do acolhimento. O seu olhar como dono é poderoso para validar a cultura da sua empresa.
Lembre-se: contratar custa caro, mas perder um talento por falta de atenção no início custa muito mais. É o desperdício de tempo, dinheiro e energia de toda a equipe que terá que treinar alguém do zero novamente.