Especialistas alertam sobre riscos da inatividade e dão dicas para iniciar hábito
Celebrado em 6 de abril, o Dia Mundial da Atividade Física foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientizar a sociedade sobre a importância da movimentação regular na ajuda à prevenção de doenças crônicas. De acordo com uma pesquisa da Brain Inteligência e Estratégia — com dados divulgados em 2025 -, enquanto 42% da população passou a se exercitar no último ano, ainda há 58% de brasileiros sedentários, sendo a falta de tempo o principal impedimento entre os adultos que responderam ao estudo.
Para especialistas da área, a mudança desse quadro passa por atitudes simples no dia a dia, já que incluir movimentos como caminhar, pedalar ou até trocar o elevador pela escada pode trazer impactos significativos na prevenção de doenças crônicas e na promoção do bem-estar físico e mental.
Sandro Ribeiro, doutor em Educação Física, lembra que movimento é saúde. “A atividade física tem papel fundamental na prevenção de vários problemas de saúde, como as doenças crônicas como hipertensão, diabetes tipo 2, doenças articulares. Além disso, a prática ajuda também na saúde mental, na qualidade do sono e na manutenção da autonomia ao longo da vida. Quando a pessoa se movimenta com regularidade, ela se protege integralmente”, observa.
O coordenador do curso de Educação Física da Estácio Volta Redonda, destaca que isso não significa, necessariamente, praticar esportes de alto rendimento ou passar horas na academia. “Não é necessário ser atleta. Atividade física é todo movimento corporal que faz parte da vida: caminhar, pedalar, dançar, subir escadas, brincar, nadar, fazer exercícios de força, entre outras possibilidades”.
Segundo o profissional, o sedentarismo precisa ser combatido com mais movimento em todas as idades e indica práticas para as diferentes faixas etárias.
Na infância, o ideal é estimular as brincadeiras ativas e reduzir o tempo excessivo de telas. Entre crianças maiores e adolescentes, esportes, jogos, dança e bicicleta são ótimas opções. Para os adultos, a dica é buscar uma prática possível de manter na rotina, como caminhada, musculação, corrida leve, funcional ou dança. Já para os idosos, além das caminhadas, os exercícios de força e equilíbrio são essenciais para a preservação da independência e para prevenir quedas.
– Não é preciso começar de forma perfeita, mas é preciso começar. O corpo humano foi feito para se mover e cada movimento conta – afirma Sandro Ribeiro.
Tecnologia e sedentarismo
O coordenador do curso de Educação Física da Estácio Resende, Carlos Lessa, chama a atenção para o avanço tecnológico e as facilidades do mundo moderno que tornaram a atividade física uma opção cada vez mais dispensável. “O controle remoto, reuniões de trabalho realizadas à distância e jogos eletrônicos feitos de forma sedentária, muitas vezes com os participantes em locais diferentes, são algumas das situações que proporcionam a sensação de que não necessitamos realizar qualquer atividade física, tornando o ser humano cada vez mais sedentário. Acreditar nisso é um grande engano. Nosso corpo necessita realizar movimentos que propiciem bem-estar”, pondera.
O professor da Estácio observa que, ao deixar de executar tarefas que façam o corpo se movimentar, o ser humano fica sujeito a alterações em vários sistemas, o que pode comprometer a saúde física.
“Os músculos do corpo, quando não utilizados com frequência, podem provocar lesões em articulações e problemas na coluna vertebral, com dores nas regiões cervical, lombar e torácica, dificultando tarefas simples do dia a dia”, enumera Lessa, destacando ainda que o sistema cardiovascular também sofre consequências de uma vida inativa, com sobrecarga no coração e redução da eficiência até mesmo em esforços de baixa intensidade. E o sistema respiratório também é afetado.