Guerra gera insegurança sobre preço e escassez de produtos

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Na última semana, motoristas encontraram bombas vazias em alguns postos de gasolina. Foto: Ana Luiza Rossi/CSF

Postos de combustível do Médio Paraíba estão se tornando um ponto constante de reclamações, não apenas pela elevação dos preços da gasolina, do etanol e do diesel, mas também pela expectativa de aumento em outros produtos, impulsionados pela alta do petróleo. Motoristas questionam ainda o motivo de a guerra deflagrada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã afetar o Brasil, um país fora do cenário do conflito.

Em um posto de abastecimento do bairro Aterrado, com bandeira da Petrobras, frentistas relatam que não houve mudanças no ritmo de trabalho nem no fornecimento de produtos.

Já em outro posto, também no Aterrado, que funciona sem bandeira, a situação é bem diferente. Este foi um dos primeiros estabelecimentos a ficar sem gasolina desde o início do conflito no Oriente Médio. No sábado (21), as bombas, assim como os funcionários, ficaram paradas devido à falta de combustível. Frentistas revelaram ainda que o volume comercializado foi reduzido pelas distribuidoras após o início da guerra. Antes, era possível adquirir, por exemplo, até 90 mil litros; com as mudanças, o limite passou para cerca de 10 mil litros. Com isso, os postos passaram a enfrentar restrições no abastecimento, o que resultou em bombas vazias. A expectativa é de que a distribuição seja normalizada ao longo desta semana, ainda que com volume reduzido.

Os frentistas também comentaram sobre os questionamentos feitos por clientes em relação ao conflito.

“Assim que começaram as notícias de que o combustível poderia acabar, as pessoas vieram desesperadas para encher o tanque, com medo de ficarem sem abastecer. Muitos clientes também perguntam como a guerra está impactando a venda no país, geralmente aqueles que estão mais atentos ao que está acontecendo, mas a gente não sabe o que responder”, relatou um deles.

O posto é um dos poucos que ainda mantém o litro da gasolina a R$ 6,99. O preço médio do combustível em Volta Redonda é de R$ 7,19. A prática de venda por valores muito próximos entre diferentes estabelecimentos tem gerado questionamentos por parte dos funcionários, que apontam a existência do que chamam de “cartel” no mercado local. Segundo eles, esse cenário já ocorre há anos no município e influencia diretamente o preço final ao consumidor.

“A verdade é que existe uma pressão constante relacionada ao que chamam de ‘cartel’ em Volta Redonda. Postos maiores chegam a monitorar os preços e, quando percebem valores abaixo da média, tentam pressionar para que sejam reajustados”, afirmou outro trabalhador.

A instabilidade no setor de combustíveis está diretamente ligada ao cenário internacional. A ofensiva militar envolvendo Estados Unidos e Israel provocou uma reação do Irã, que bloqueou o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo e gás. A região concentra cerca de 20% do fluxo global dessas commodities.

Com a escalada do conflito, a cotação internacional do barril de petróleo voltou a subir, alcançando cerca de US$ 100, patamar que não era registrado desde 2022, durante o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Restaurantes já sobem preço de comida a quilo

Restaurantes começam a subir o preço do quilo das refeições, em casos de self service com balança. Ao menos dois estabelecimentos que funcionam no Aterrado subiram o preço e os consumidores sentiram na hora de pagar as refeições. Resultado: o retorno das famosas marmitinhas no dia a dia de quem trabalha para gerar economia. O dono de uma loja de decoração, que trabalha com a colocação de pisos e persianas admite também que o movimento está mais tímido desde o início do conflito no Oriente Médio. A mesma sensação tem uma proprietária de uma loja que vende produtos para filtros, na Rua São João.