Postos do Sul Fluminense começam a ficar sem combustível

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Motoristas enfrentam preço nas alturas e falta de gasolina em postos de Volta Redonda-RJ. Foto: Sônia Paes/CSF

Gasolina comum ultrapassa os R$ 7,00 e registra o segundo aumento em duas semanas

Por Sônia Paes

O preço da gasolina comum nos postos de combustíveis de Volta Redonda-RJ está custando nesta segunda-feira, dia 23, até R$ 7,19 o litro, igualando-se praticamente ao preço cobrado pela aditivada, na semana passada. Isso porque, desde sábado, dia 21, a aditivada passou a custar até R$ 7,29 e o diesel foi para R$ 7,49. O etanol também subiu e o motorista paga R$ R$ 5,54 por litro. É o segundo aumento em menos de duas semanas.

E pior: alguns postos de combustíveis – principalmente os que não têm bandeira – estão sem gasolina. Um deles fica no Aterrado, em Volta Redonda, e está, desde sábado, sem gasolina e diesel, abastecendo os carros somente com etanol a R$ 4,99. Os valores que constam na placa do posto e ainda atraem o motorista ficaram no passado.

Em Barra Mansa, cidade vizinha de Volta Redonda, os postos começam a ficar desabastecidos e os valores estão nas alturas, assim como no restante da região, ultrapassando à casa dos R$ 7,00. O vereador Eduardo Pimentel, de Barra Mansa, foi às redes sociais alertar sobre a falta de gasolina: “Já é o terceiro posto que eu venho e não consigo abastecer”, disse.

A revolta dos motoristas é ainda pelo fato do Sul Fluminense ter uma base terrestre de uma subsidiária da Petrobras: a Transpetro, responsável pelo fornecimento de etanol, diesel e gasolina para o grupo das companhias distribuidoras. A empresa recebe ainda óleo combustível por caminhões-tanque e realiza ainda bombeamento para a Companhia Siderúrgica Nacional. Em contato com o jornal, a assessoria da Transpetro informou que faz apenas a logística e que questões relacionadas ao preço e desabastecimento é obrigação da Petrobras. O jornal aguarda posição da Petrobras e mantém espaço para manifestação da empresa.

Na semana passada, a reportagem do Correio Sul Fluminense percorreu os principais postos de combustíveis e constatou a elevação dos preços. No bairro Aterrado, por exemplo, os preços da gasolina aditivada variaram entre R$6,89 e R$ 7,14, enquanto a comum custava entre R$ 6,89 e R$ 6,99. O etanol teve a maior variação: R$5,29 e R$5,54. Na Vila Santa Cecília, a gasolina aditivada estava sendo vendida a R$ 7,19, valor da comum nesta segunda-feira dia 23.

Escassez na Dutra e na capital

A semana começou com a falta de combustível e a alta nos preços também em postos da Rodovia Presidente Dutra, no trecho que corta o Estado do Rio, e na própria capital. A direção do Sindicato dos Postos de Combustíveis do Município do Rio informou que revendedores estão tendo dificuldade no recebimento de produtos, em meio à redução do fornecimento por parte das distribuidoras. A declaração foi dada nesta segunda-feira (16) pelo presidente do Sindcomb, Manuel Fonseca, em entrevista à BandNews FM, logo pela manhã.

Já o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, afirmou ao Estadão “que um eventual desabastecimento no Brasil estaria mais associado a um descompasso entre os preços internos e os valores praticados no mercado internacional”.

Guerra no Oriente Médio e alívio com ‘recuo’ de Trump

O problema no setor de combustível é somente a ponta do iceberg desde que foi deflagrada a guerra dos EUA e Israel contra o Irã. Com o fechamento do estreito de Ormuz, ocorrido no início deste mês, e por onde passa aproximadamente 20% do consumo global de petróleo, uma verdadeira crise sem precedentes foi iniciada. O estreito conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, sendo o principal canal de exportação para países como Arábia Saudita, Irã e Iraque. Os aumentos no barril de petróleo atingiram um nível que não se via desde 2022, quando a Rússia lançou sua invasão à Ucrânia.

A tensão diminuiu um pouco no início desta semana com a declaração do presidente Donald Trump de que não irá mais atacar as instalações energéticas do Irã. O presidente dos EUA declarou ainda estar em negociação com o país iraniano, o que foi negado pelo regime. A fala de Trump levou o barril do Petróleo a recuar a US$ 92. Desde o início da guerra, o preço do barril passou dos US$ 100.