Crédito será usado para reduzir endividamento bilionário
O presidente do Grupo CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), Benjamin Steinbruch, inicia a semana com um certo alívio: a assinatura da carta-compromisso com um grupo de bancos para um empréstimo de US$ 1,2 bilhão, que pode chegar a até US$ 1,4 bilhão. A negociação – que já estava em fase final – foi informada aos acionistas e ao mercado financeiro em comunicado relevante divulgado na sexta-feira, dia 20.
O valor será usado para reduzir a dívida bilionária da holding e terá taxa de juros incialmente correspondente a SOFR (Taxa de Financiamento Soberano Diário), mais 6% ao ano. O prazo final de pagamento é de cinco anos. A SOFR é uma taxa de juros de referência baseada no mercado de recompra de títulos do Tesouro dos EUA, usada para empréstimos em dólares. Ela substituiu a LIBOR como principal indicador.
CSN Cimentos
O pool de bancos que fará o empréstimo é formado pelo Morgan Stanley, Citigroup, CreditAgricole, HSBC, Banco XP, BNP Paribas, Banco do Brasil e Bradesco. Como era esperado pelo mercado e foi amplamente divulgado pelo Grupo, a CSN Cimentos foi dada como garantidora do empréstimo, feito em nome da subsidiária CSN Inova Ventures.
Um dia antes de bater o martelo e na tentativa de acalmar o mercado, a CSN disparou comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informando que as negociações para a obtenção de do empréstimo com o grupo de bancos estava em fase final. Na quinta-feira, dia 18, não foram dados detalhes sobre a operação, parte de um plano de desinvestimento bem mais amplo.
Só para se ter uma ideia do tamanho do problema que a CSN enfrenta em seu caixa, o valor da dívida líquida da empresa chega à casa dos 41,218 bilhões. Ou seja: a alavancagem aumentou para 3,47 vezes o Ebitda, acima das projeções, como mostrou o balanço financeiro da holding referente ao quarto trimestre do ano passado.
Além disso, a CSN vem sofrendo rebaixamentos em suas notas de crédito (ratings) por diversas agências de risco desde o início do ano. Na semana passada, mas precisamente na quarta-feira, dia 18, a agência S&P Global rebaixou as notas da CSNA3 (de B= para B) e da CSN Mineração (brAA- para brA-), a “prima” rica do Grupo. Motivo: o alto endividamento da empresa e a falta de crença de que os planos previstos pela empresa consigam ser executados dentro do prazo necessário. Um deles, por exemplo, é a venda da CSN Cimentos, um braço do grupo dado como garantia para a obtenção do empréstimo.