Alta do petróleo pode pressionar combustíveis e alimentos

Título do Post Incrível
Motoristas relatam reajustes em alguns postos de combustíveis na cidade de Volta Redonda. Foto: Ana Luiza Rossi/CSF

Conflitos internacionais elevam custos e ameaçam impacto direto em preços ao consumidor

Por Agatha Amorim

A escalada de conflitos internacionais tem provocado reflexos no mercado global de energia e acendido o alerta para possíveis impactos no preço dos combustíveis no Brasil. A alta do petróleo, impulsionada por tensões em regiões produtoras, pode gerar efeitos em cadeia na economia, influenciando desde o transporte de mercadorias até o preço final de alimentos e outros produtos.

Em Volta Redonda, motoristas já tem relatado aumento nos valores praticados em alguns postos de combustíveis nos últimos dias.

Especialistas explicam que instabilidades em regiões produtoras costumam provocar reações rápidas no mercado do petróleo. Isso acontece porque parte significativa da produção mundial está concentrada em áreas que historicamente enfrentam conflitos. Quando há risco de interrupção na oferta ou no transporte do produto, investidores e operadores do mercado tendem a reagir, fazendo com que os preços subam.

De acordo com a economista Sonia Vilela, as tensões internacionais ampliam a instabilidade principalmente nas regiões onde estão concentrados os grandes produtores da commodity.

“Os conflitos ampliam as instabilidades principalmente nas regiões onde se concentram os maiores produtores de petróleo e por onde ocorre o escoamento para atender à demanda de grandes consumidores, como Índia, Japão e China”, explica.

Esse cenário de incerteza costuma elevar o preço do barril no mercado internacional e aumentar a pressão sobre países que dependem do petróleo para diversas atividades econômicas.

Reflexos nos combustíveis

Segundo a economista, a alta da commodity tende a impactar diretamente o preço dos combustíveis e da energia, itens que têm grande peso na formação de custos em diferentes setores da economia.

“O aumento do preço do petróleo impacta diretamente no preço dos combustíveis e da energia, além de elevar os custos de produção. Isso pode causar um efeito inflacionário importante do lado da oferta”, afirma.

Ela explica ainda que esse tipo de inflação acontece quando os custos de produção aumentam e acabam sendo repassados ao consumidor final ao longo da cadeia produtiva.

Nesse cenário, políticas econômicas tradicionais de combate à inflação podem ter efeito limitado.

“A política anti-inflacionária praticada no Brasil, baseada no aumento das taxas de juros, costuma ser mais eficaz para conter inflação de demanda. Quando a pressão vem do lado da oferta, como no caso do petróleo, os resultados tendem a ser menores”, observa.

Por outro lado, a valorização da commodity pode gerar efeitos positivos para empresas ligadas ao setor de energia. “A alta do petróleo pode provocar valorização da Petrobras e da própria bolsa brasileira”, afirma, referindo-se à Petrobras e à B3.

Impacto em cadeia na economia

O petróleo é considerado uma das commodities mais importantes da economia mundial. Além de ser usado na produção de combustíveis, ele também influencia diretamente o custo da energia e do transporte, fatores essenciais para praticamente todas as atividades produtivas. Por isso, os primeiros efeitos da alta costumam aparecer no preço dos combustíveis, espalhando-se posteriormente.

“O primeiro impacto ocorre sobre os combustíveis e, em seguida, há um efeito em cadeia sobre os demais setores da economia”, explica Sonia Vilela.

No Brasil, esse efeito pode ser ainda mais significativo devido à forte dependência que há do transporte rodoviário. Grande parte dos alimentos e produtos consumidos no país é transportada por caminhões, o que torna o preço do diesel um fator importante para o custo logístico.

Com a elevação dos combustíveis, empresas de transporte, produtores e comerciantes passam a enfrentar despesas maiores, o que pode levar ao repasse desses custos ao consumidor final.

“Como os combustíveis fazem parte da cadeia produtiva, o aumento acaba impactando diretamente o bolso do consumidor”, destaca a economista.