Entre o medo e a esperança, mulher, que tem parentes no Líbano, acompanha desdobramento do conflito
Por Agatha Amorim
Adistância entre o Sul Fluminense e o Oriente Médio não diminui a preocupação de quem tem familiares vivendo em países no entorno da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Em Volta Redonda-RJ, a moradora Muna Mohamad Ghazzaoui acompanha com apreensão a escalada do conflito, que chega ao décimo dia. Ela tem parentes morando no Líbano, que já teve o deslocamento de 100 mil pessoas. O país foi arrastado para a guerra quando o movimento xiita pró-iraniano Hezbollah começou, em 2 de março, a lançar projéteis contra Israel.
Segundo ela, os familiares estão na cidade de Khiara, localizada no Vale do Bekaa, região do interior do país próxima à fronteira com a Síria. Apesar de o local não estar entre as áreas diretamente atingidas por bombardeios, o clima de tensão já impacta o cotidiano da população.
De acordo com Muna, a família passou a adotar uma postura mais cautelosa diante da instabilidade no país. “Eles estão mais cautelosos e saindo de casa apenas para o necessário”, contou.
A preocupação, segundo ela, é de que o conflito possa se expandir para outras regiões do território libanês. A possibilidade não é descartada pelos moradores, especialmente diante do histórico de confrontos na região. “Isso já aconteceu antes e pode vir a acontecer a qualquer momento”, relatou.
Mesmo com a apreensão, a rotina na cidade onde vivem os parentes segue relativamente preservada. Segundo as informações repassadas pela família, o comércio e os serviços continuam funcionando normalmente.
A comunicação entre Muna e os familiares também ocorre sem grandes dificuldades. Ela explica que mantém contato frequente com os parentes por meio da internet, principalmente por aplicativos de mensagem.
Cenário de tensão no Líbano
O atual cenário de tensão no país está ligado à escalada do conflito envolvendo o grupo libanês Hezbollah e Israel. Nos últimos meses, confrontos e trocas de ataques entre os dois lados têm elevado o risco de ampliação da guerra na região.
O Vale do Bekaa, onde vivem os parentes de Muna, é uma das principais regiões do interior do Líbano. A área abriga diversas cidades e comunidades e tem importância estratégica por sua proximidade com a fronteira da Síria.
Apesar de a cidade onde a família reside não estar entre os principais alvos de ataques, o histórico de confrontos no país faz com que moradores acompanhem com atenção o avanço da guerra. Em momentos anteriores de tensão no território libanês, diferentes regiões acabaram sendo impactadas pelo conflito.
Risco de crise humanitária
O Hezbollah é um grupo político e militar que tem forte presença no Líbano e influência em diferentes áreas do país. A organização mantém histórico de confrontos com Israel, especialmente em regiões próximas à fronteira entre os dois territórios.
A troca de ataques entre os dois lados tem ampliado o temor de que o conflito se intensifique e alcance outras áreas do território libanês, o que poderia agravar ainda mais a situação da população civil.
Diante do agravamento da situação, organizações internacionais têm alertado para o avanço da crise humanitária no território libanês. Estimativas indicam que centenas de milhares de pessoas já foram obrigadas a deixar suas casas por causa da guerra.
Entre os deslocados estão milhares de famílias que precisaram buscar abrigo em outras regiões do país ou em territórios vizinhos. A situação preocupa autoridades e entidades humanitárias, que acompanham o aumento da pressão sobre os serviços básicos e a infraestrutura. À distância, Muna acompanha as notícias e segue em contato com os familiares. Mesmo com a rotina ainda funcionando normalmente, a apreensão permanece diante da possibilidade de novos desdobramentos da guerra no país.