Estelionato cresce 470% em dez anos e letalidade violenta sobe no Sul Fluminense

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Expansão dos meios digitais acompanha o crescimento das fraudes financeiras no período analisado. Foto: Agência Brasil

Barra Mansa e Volta Redonda lideraram os registros de mortes violentas na região em 2025

O Sul Fluminense terminou 2025 com aumento em indicadores de segurança analisados pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O cenário aparece no “Panorama de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro 2015-2025”, elaborado com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).

Nos 17 municípios da região, a taxa de letalidade violenta chegou a 24,8 casos por 100 mil habitantes em 2025, acima da média estadual, de 22,6. O indicador reúne homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte, latrocínios e mortes por intervenção de agentes do Estado.

Barra Mansa teve o maior número de registros, com 68 casos e taxa de 37,4 por 100 mil habitantes. O índice mais que dobrou em relação a 2015, quando eram 33 ocorrências. O município chegou ao pico em 2023, com 80 casos, caiu para 66 em 2024 e voltou a subir no ano seguinte.

Volta Redonda aparece em seguida, com 52 registros. O maior número da série foi registrado em 2019, com 99 ocorrências. Os casos chegaram a 43 em 2024 e voltaram a subir em 2025. Angra dos Reis teve 39 registros; Resende, 32; Itatiaia e Paraty, 20 cada; Barra do Piraí, 16; e Valença, 14.

Estelionato cresce 470% na região

O estelionato apresentou uma das maiores altas no Sul Fluminense. Foram 8.472 registros em 2025, com taxa de 699 ocorrências por 100 mil habitantes, crescimento de 470% em relação a 2015.

Todos os 17 municípios tiveram aumento na década. Volta Redonda concentrou 35% dos registros, com 2.995 ocorrências e taxa de 1.069,8 por 100 mil habitantes. Resende chegou a 1.160 casos em 2023, quando atingiu taxa de 1.053,9.

Em Barra Mansa, os registros passaram de 696 em 2024 para 1.125 em 2025, alta de 62%. No estado, foram 146.981 ocorrências no ano passado, número 313% maior que o de 2015. O estudo relaciona a expansão às fraudes financeiras e digitais.

A extorsão também atingiu o maior patamar da série no Sul Fluminense. Foram 184 casos em 2025, com taxa de 15,1 por 100 mil habitantes, 60% acima de 2024. Volta Redonda teve 70 ocorrências; Resende, 33; e Barra Mansa, 14.

Roubos de rua seguem em queda

Os roubos de rua apresentaram redução ao longo da década. O Sul Fluminense registrou 133 casos em 2025, com taxa de 11 por 100 mil habitantes, o menor patamar da série. O pico ocorreu em 2017, com 1.384 ocorrências. Desde 2015, a queda chegou a 68%, enquanto a redução estadual foi de 33%.

Volta Redonda teve 55 registros em 2025, seguida por Angra dos Reis, com 24, e Barra Mansa, com 23. Somados aos casos de Resende, esses municípios concentraram 83% das ocorrências regionais.

Os roubos e furtos de veículos também terminaram 2025 abaixo dos níveis do início da série. No Sul Fluminense, foram 53 roubos e 315 furtos. Angra dos Reis passou de 210 roubos em 2018 para dois em 2025. Volta Redonda registrou 19.

Nos furtos, Angra dos Reis teve alta de 35% entre 2024 e 2025, chegando a 77 casos. Volta Redonda teve 75, o menor número da própria série, que chegou a 268 ocorrências em 2018. Barra Mansa registrou 57 furtos e Resende, 26.

No estado, a Firjan contabilizou 56.838 mortes relacionadas à violência entre janeiro de 2015 e dezembro de 2025, considerando os quatro tipos de ocorrência que compõem a letalidade violenta. O número supera a população de 56 dos 92 municípios fluminenses. Segundo a federação, a insegurança e a ilegalidade representam custo adicional estimado em R$ 31,1 bilhões por ano para a economia estadual.