Curso de medicina no UniFOA é mal avaliado

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Campus da faculdade em Três Poços, Volta Redonda, que teve nota 2 em exame do MEC. Foto: Divulgação

Por Lanna Silveira

Alunos tiveram média de menos de 60% na prova; UniFOA diz que vai recorrer

A divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), feita nesta segunda-feira (19), revelou o médio e baixo desempenho de alunos matriculados em universidades da região do Médio Paraíba. Duas universidades locais tiveram resultado considerado insatisfatório pelo Ministério da Educação (MEC): o Centro Universitário de Volta Redonda (UniFOA) e o campus Angra dos Reis da Universidade Estácio de Sá (Unesa). Ambos os cursos contestaram o resultado da avaliação.

A prova é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC), conduzida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), que será aplicada anualmente com o objetivo de avaliar a qualidade do ensino de Medicina nas universidades brasileiras. Nesta primeira edição, foram avaliados 351 cursos de Medicina; os cursos com conceitos inferiores a 3 sofrerão uma série de restrições relacionadas a abertura de novas turmas. O UniFOA e a Unesa fazem parte de um grupo de 107 universidades com nota abaixo de 3, contabilizando cerca de 13 mil estudantes de medicina com baixo desempenho no exame. O Ministro da Educação, Camilo Santana, informou que as universidades receberam um prazo de 30 dias para apresentar uma defesa aos resultados negativos.

UniFOA

De acordo com a lista oficial de notas do exame, os alunos do UniFOA apresentaram uma média de menos de 60% do gabarito da prova, alcançando nota 2. Segundo as normas do Inep, os cursos que apresentaram notas dentro deste conceito terão sua abertura de matrículas restringida. Essa restrição pode acontecer de três maneiras: o número possível de novas vagas poderá ser reduzido em 50% ou 25%; ou a universidade será impedida de aumentar seu número de vagas. Estas universidades também poderão ser suspensas de programas de financiamento estudantil.

Em resposta ao Correio Sul Fluminense, o UniFOA apresentou contestação à nota divulgada pelo Inep. De acordo com a equipe, a FOA havia verificado anteriormente que o desempenho de seus alunos se encaixaria no conceito 3, seguindo critérios de avaliação que foram divulgados oficialmente pelo MEC. Essa divergência entre os dados divulgados ao sistema em dezembro do ano passado e os resultados divulgados nesta semana também foi identificada pela Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) em diferentes instituições brasileiras. A inconsistência já foi reconhecida pelo MEC.

O UniFOA acrescenta que a instituição já entrou com um recurso para solicitar a conferência das notas e está aguardando um novo posicionamento. A instituição também “reforça que está compromissada a oferecer uma formação médica de qualidade a seus alunos, relembrando que seu curso de Medicina já recebeu avaliação máxima do MEC (nota 5), possuindo ainda o Selo SAEME de Acreditação, concedido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e renovado pela 3ª vez consecutiv”a.

Unesa

A Estácio de Angra dos Reis, por sua vez, apresentou o resultado mais baixo possível dentro das métricas do Enamed: seus alunos acertaram, em média, menos de 40% das questões do exame, alcançando nota 1. As penalidades aplicadas a este conceito são mais severas, com as universidades sendo proibidas de receber novos alunos e abrir novas turmas. A suspensão de programas federais também ocorre neste caso.

O Correio Sul Fluminense também pediu esclarecimentos à equipe da Estácio. Em resposta, a equipe declarou acreditar que o resultado do Enamed revelou pontos de fragilidade que não refletem a realidade acadêmica oferecida pelo centro universitário. Assim como o UniFOA, a instituição também apontou a possibilidade de inconsistências no cálculo das notas.

– Além da falta de incentivos reais para que os alunos se preparem para a prova, de amostras mais adequadas e de critérios mais robustos para o tratamento das notas, houve divergência entre os dados disponibilizados oficialmente em dezembro e os usados para o cálculo final dos indicadores, o que exigiria uma análise bem mais cuidadosa, para que todos possam confiar nos resultados – afirmou a Estácio, em nota.

A universidade ainda afirmou que irá apresentar um recurso nos próximos 30 dias e garantiu que oferece uma estrutura “sólida e de qualidade” aos estudantes de medicina, reforçando o alto percentual de aprovação de seus egressos em programas de Residência Médica. “. Queremos compartilhar a mesma segurança e a mesma tranquilidade com nossa comunidade, a despeito desses indicadores divulgados, que precisam ser revisitados de forma bem detalhada, técnica e criteriosa”.

Avaliação e resultados

O desempenho geral da região Sul Fluminense no Enamed ficou longe de alcançar os conceitos 4 e 5, que representam os resultados de maior excelência na avaliação. Além das universidades com conceito insuficiente, os outros cursos de Medicina da região – da Universidade de Vassouras (Univassouras) e do Centro Universitário de Valença (UniFAA) – alcançaram conceito 3 na avaliação: nota considerada satisfatória ao Inep, mas que ainda representa menos de 75% de acertos no exame.

O objetivo principal do Enamed é fiscalizar a qualidade do ensino médico nas universidades brasileiras, identificando e notificando os cursos que precisam se aprimorar para garantir que melhorias sejam buscadas por essas universidades. Uma universidade com bom conceito no Enamed oferece profissionais qualificados ao sistema de saúde pública e facilita a especialização médica de seus alunos formados – já que a nota do Enamed pode ser usada no Exame Nacional de Residência (Enare).

“O governo não promove uma caça às bruxas, mas atua para garantir padrões mínimos de qualidade”, afirma o ministro da Educação, Camilo Santana, sobre as penalidades aplicadas a partir do exame.