Siderúrgica propôs aumento entre 4,11% parcelado e 1% para quem recebe acima de R$ 5 mil
Os metalúrgicos da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) votam nesta quarta-feira, dia 27, virtualmente, a proposta do acordo salarial deste ano, classificada como “inadmissível” pelo Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense. A votação será de forma on-line, por meio de link ou QR Code disponibilizado pela entidade. A CSN quer parcelar o reajuste salarial de 4,11% para quem ganhar até R$ 5 mil, incluindo supervisores e técnicos da empresa. Os funcionários que recebem acima de R$ 5 mil terão aumento de apenas 1%, conforme prevê a proposta da empresa, que ainda precisa ser aprovada pela categoria.
De acordo com o presidente do sindicato, Odair Mariano, a orientação da direção sindical é para que os trabalhadores votem “não” à proposta apresentada pela empresa.
-Mais uma vez a CSN demonstra falta de respeito com os trabalhadores ao insistir em uma proposta muito abaixo do esperado pela categoria. O sindicato vai respeitar a decisão democrática dos trabalhadores e levar a proposta para votação, mas nossa orientação é clara: votar não -, afirmou Odair Mariano.
Negociações emperradas e protestos
A campanha salarial deste ano foi marcada por impasse nas mesas de negociações entre as direções do Sindicato dos Metalúrgicos e da CSN. Inicialmente, a empresa não queria conceder reposição integral da inflação medida pelo INPC, o que foi mantido. Com novas rodadas, a CSN ofereceu 2% para salários até R$ 5 mil, incluindo supervisores e técnicos; e 1% para salários acima de R$ 5 mil.
– Não podemos aceitar um acordo que ignora a reposição da inflação. Isso significa perda direta no salário do trabalhador. A categoria merece respeito e valorização, e essa proposta está muito distante disso – declarou o presidente do sindicato, em 06 de maio, quando as negociações estavam iniciando. Na época, a reunião foi encerrada sem acordo.
Em 15 de maio, o sindicato foi para a porta da Usina Presidente Vargas e fez um ato contra a empresa: “A forma como ela vem tratando a categoria é inadmissível. O trabalhador tem que ser tratado com dignidade. É dignidade. O trabalhador não pode ser tratado com humilhação. O trabalhador não pode ser tratado do jeito que tem sido tratado. Querer oferecer um reajuste de 1% para quem ganha mais de R$ 5 mil é uma vergonha”, afirmou Odair Mariano, no ato.
E mais: reforçou a insatisfação da categoria: “Não aceitaremos retrocessos. A proposta da CSN foi desrespeitosa, pois não garante sequer a reposição da inflação. Nossa luta é por valorização e justiça para os trabalhadores”, disse.
Na quinta-feira, dia 21, o sindicato e a CSN foram para a terceira rodada de negociações da pauta do acordo coletivo de trabalho. Será justamente essa contraproposta, que continua sem reposição da inflação medida pelo INPC, e com aumento salarial que avançou para ínfimos 4,11% (parcelados) e 1%, que será votada pela categoria de forma virtual. Dessa vez, o sindicato apenas se limitou a pedir que os trabalhadores rejeitem a proposta.
Os principais pontos da proposta
- Abono 2025: 2,2310 salários (operacional) pago em 2 parcelas iguais, sendo a 1ª parcela, até 5 dias úteis após a assinatura do ACT e a 2ª parcela em novembro/26.
- Cartão extra (banco de horas): R$900,00 pago em 2 parcelas de R$450,00 (1ª parcela em até 5 dias úteis e a 2ª parcela em novembro/26)
- Cartão alimentação: R$1.135,07
- Auxílio creche: R$ 769,20
- Reajuste salarial:
4,11% para salários até R$5.000,00 supervisores e técnicos, sendo 2,055% aplicados em maio/26 e 2,055% aplicados em dezembro/26, ambos sobre o salário de abril/26;
1% para salários superiores a R$5.000,00 (exceto supervisores e técnicos) em dezembro/26.