Flip anuncia autores convidados e novas atividades para 2026

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Autores convidados têm trajetórias e origens variadas na literatura. Foto: Divulgação

Festival literário acontecerá entre os dias 22 e 26 de julho, em Paraty

Por Lanna Silveira

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) já anunciou os primeiros nomes confirmados para sua 24° edição: o franco-argelino Kamel Daoud, o italiano Andrea Bajani, a alemã Carmen Stephan e os brasileiros Andréa del Fuego e Leonardo Gandolfi. A próxima edição da Flip acontecerá entre os dias 22 e 26 de julho.

Conheça os nomes confirmados

Escritor e jornalista, vencedor do Prêmio Goncourt nos anos de 2014 e 2024, Kamel Daoud é dono de uma obra aclamada pela crítica, lidando com temas como a memória, os silêncios e as interdições, e traduzida para mais de quarenta idiomas, entre eles o português. Seu livro mais recente é “Língua interior.

Autor que tem chamado atenção desde o lançamento de sua primeira obra, “Cordiali saluti”, Andrea Bajani ganha agora a sua primeira publicação no Brasil. Antecipando sua vinda à Flip, a Companhia das Letras acaba de lançar “O aniversário”: romance publicado originalmente na Itália pela editora Feltrinelli em 2025, mesmo ano em que a obra venceu o Prêmio Strega.

Carmen Stephan é autora do livro “Malária: um romance”, que acaba de chegar ao Brasil. Alemã, a escritora mantém uma relação única com o país, tendo vivido aqui quando contraiu a doença que dá nome à sua obra.

Já Andréa del Fuego é autora do recém-lançado “Nego tudo”: uma reedição de seus primeiros contos publicados; do aclamado “A pediatra”; e de “Os Malaquias”, vencedor do Prêmio José Saramago em 2011.

Por fim, Leonardo Gandolfi é poeta, editor e crítico literário. Em 2025, venceu o Prêmio da Biblioteca Nacional na categoria de poesia com “Pote de mel e outros poemas”. Com uma obra de sete livros e plaquetes lançados em duas décadas de carreira, Gandolfi tem se destacado entre o público e a crítica por uma poesia profunda, porém sem arestas ou sobras, construída de forma a parecer natural, entregando uma noção de que a própria vida é poética, e, portanto, colocá-la em palavras seria suficiente para registrar estes momentos.

A vinda de Kamel Daoud à Flip tem o apoio da Embaixada da França no Brasil e do Consulado da França no Rio de Janeiro; a de Andrea Bajani, do Istituto Italiano di Cultura do Rio de Janeiro; e a de Carmen Stephan, do Goethe-Institut Rio de Janeiro.

Flip em terras estrangeiras

Ainda neste ano, a Flip vai participar do Festival LeV – Literatura em Viagem, cuja 20ª edição será realizada entre os dias 10 e 19 de abril, na cidade de Matosinhos, em Portugal. O diretor artístico da Festa Literária Internacional de Paraty, Mauro Munhoz, fará mesa com o escritor português Valter Hugo Mãe sobre o papel dos festivais literários como redes ativas de cooperação cultural entre diferentes geografias e línguas.

Realizado há duas décadas em Matosinhos, cidade na região do Porto, o LeV – Literatura em Viagem contará neste ano com a presença de autores como Gonçalo M. Tavares, Hugo Van Der Ding, José Eduardo Agualusa, Mia Couto, Miguel Carvalho, Tatiana Salem Levy, Peter Frankopan, Patrick Deville, Jung Chang e Yrsa Sigurðardóttir.

A conversa entre o arquiteto brasileiro e diretor artístico da Flip Mauro Munhoz com o escritor Valter Hugo Mãe acontecerá no dia 19 de abril, na Casa de Arquitectura de Portugal – instituição portuguesa que oficializou parceria com a Flip em 2026. O autor português tem uma história íntima com a Festa Literária Internacional de Paraty, que foi a responsável por inspirar sua carreira no Brasil após sua primeira vinda ao país, em 2011. Em 2025, Valter Hugo retornou à Flip para lançar a adaptação cinematográfica de seu livro O Filho de Mil Homens.

Mais sobre a Flip

A Festa Literária Internacional de Paraty acontece na cidade desde 2003, sendo realizada pela Associação Casa Azul.

Ao longo de mais de duas décadas, a Flip vem se firmando como uma das mais relevantes manifestações culturais do país, tendo inspirado mais de 300 feiras e festas literárias. Logo após a sua primeira edição, o festival rendeu o Prêmio Faz a Diferença do jornal O Globo para Luiz Schwarcz e a Ordem do Mérito Cultural para Liz Calder. Em 2011, a Flip foi contemplada com o Prêmio APCA na categoria Urbanidade, que reconheceu o papel do festival na valorização do espaço urbano como ambiente de convivência e reflexão.

Em 2021, a Flip foi reconhecida como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial do Estado do Rio de Janeiro, e, no ano seguinte, como Patrimônio Cultural e Imaterial da Cidade de Paraty. Mais recentemente, em 2023, recebeu o Prêmio Faz Diferença, concedido pelo jornal O Globo, na categoria Livros, celebrando a contribuição da equipe para o cenário literário brasileiro.

A Flip convoca uma curadoria literária distinta a cada nova edição, trazendo novos olhares e priorizando um espírito de inovação e experimentação na equipe. Em 2026, a curadoria será comandada por Rita Palmeira. Editora e crítica literária, Doutora em Literatura Brasileira pela USP e mestre em Teoria Literária pela Unicamp, Palmeira atua como mediadora em mesas do Programa Principal desde 2017, participando em oito edições diferentes da Festa.

Na 23ª edição, Rita Palmeira mediou o encontro entre as autoras Anabela Mota Ribeiro e Neige Sinno no Programa Principal, e, em edições anteriores, desempenhou o mesmo papel em mesas com autores como a vencedora do Nobel Annie Ernaux, Mohamed Mbougar Sarr, Jeferson Tenório, Micheliny Verunschk, José Miguel Wisnik, entre outros. Sua relação com a Flip é, no entanto, ainda mais antiga.

— Na primeira Flip em que estive, em 2004, o americano Paul Auster dividiu a mesa com Chico Buarque, num claro recado de que a plateia estava ali diante de dois igualmente imensos escritores. Isso mostra a contribuição da Flip em muitas dimensões: em primeiro lugar, seu pioneirismo e sua capacidade de trazer autores estrangeiros ao Brasil – quando eram raras essas presenças, e bem antes da democratização do acesso à internet, que aumentou a divulgação da literatura mundial -, e também por contribuir para a projeção nacional e internacional de autores brasileiros — conta.