Preços atrapalham venda de peixes durante Semana Santa

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Tipos como o bacalhau chegaram ao valor de R$ 250 por quilo em algumas peixarias. Foto: Lanna Silveira/CSF

Apesar da tradição religiosa, muitas peixarias ainda têm baixa procura

Por Lanna Silveira

Com a chegada da Semana Santa, a expectativa do comércio brasileiro é de que a procura por peixes e frutos do mar cresça entre os consumidores. Neste ano, especificamente, a Associação Brasileira da Piscicultura projeta um aumento de 30% no consumo de pescados a nível nacional. Tradicionalmente, esse crescimento está ligado à prática religiosa cristã, que recomenda a abstinência de carnes vermelhas, especialmente na Sexta-feira Santa, levando muitas pessoas a optarem pelo peixe como principal alternativa.

Na região Sul Fluminense, a busca por peixes ainda não está totalmente em alta: enquanto algumas peixarias e fornecedores de peixes já conquistaram um grande número de clientes, outras ainda registram vendas baixas e esperam que a procura cresça até o fim desta semana.

O preço dos peixes é um dos principais fatores de incentivo às vendas. Segundo as equipes das peixarias, os tipos mais escolhidos na Semana Santa são os mais utilizados para pratos ensopados, como robalo, bacalhau, cação, camarão, salmão e tilápia. A maioria dos pescados sofreram com aumento de preços neste ano: a alta mais expressiva foi a do bacalhau, que teve um reajuste de quase 100 reais por quilo. Na peixaria Sete Mares, localizada em Volta Redonda, o pescado está sendo vendido a quase R$ 250. A equipe afirma que o movimento deste ano está menor em relação a 2025, e que a expectativa é de que a procura aumente nas vésperas da Sexta-Feira Santa.

Tanto os funcionários da Sete Mares quanto os da peixaria Marítima, no Aterrado, afirmam que a alta nos preços é anterior à Semana Santa e que o movimento no comércio de peixes vem estado baixo ao longo deste início de ano.

Prioridade aos tipos mais baratos

Outras opções que apresentam preços salgados são o robalo, que custa cerca de R$ 100 o quilo; e camarões e salmões, que estão na faixa dos R$ 150. Peixes como cação e tilápia se apresentam como alternativas mais econômicas, estando na faixa de R$ 60 por quilo.

O interesse por um bom custo-benefício está se revertendo em vendas altas entre os vendedores de Volta Redonda. Comerciantes que fazem venda exclusiva de tilápia, por exemplo, já estão recebendo muitos pedidos de clientes e alegam que a procura permanece em alta a cada ano que passa. Alguns desses vendedores oferecem o peixe para vários comerciantes da região, como Wesley, que é natural de Barra Mansa mas também vende peças de tilápia em cidades próximas, como Pinheiral. Durante esta semana, as vendas de Wesley aumentaram cerca de 400%; mais do que qualquer outra peixaria entrevistada nesta reportagem.

Os estabelecimentos que conseguiram manter a faixa de preços estável, sem grande aumento, também estão atraindo a clientela: é o caso da peixaria Mar de Angra, localizada em Volta Redonda, que vem registrando um crescimento de 70% nas vendas ao longo das últimas duas semanas.