INB testa varetas para microrreatores

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Funcionários da INB e de empresas privadas integram grupo que executa projeto. Foto: Divulgação/INB

Eles funcionam como uma usina e são opção para levar energia limpa a regiões de difícil acesso

Por Redação

A Indústrias Nucleares do Brasil (INB) começou, no mês de janeiro, em Resende-RJ, os testes para fabricação das varetas do combustível que será usado no desenvolvimento da tecnologia para o Projeto de Microrreator Nuclear Nacional. A etapa marca um avanço importante no processo e testa a capacidade futura da empresa para a produção em larga escala. A última fase do teste das varetas na INB está prevista para fevereiro.

“Esses testes permitem antecipar ajustes antes do início da produção, programada para 2027”, afirma o engenheiro metalúrgico da INB Franklin Palheiros. Essa previsão é para o abastecimento do protótipo onde serão feitos os experimentos da tecnologia. As varetas são componentes fundamentais do elemento combustível, uma vez que abrigam o urânio responsável por gerar o calor que, nos reatores, é convertido em energia elétrica.

Os microrreatores funcionarão como uma usina nuclear, porém são compactos, transportáveis e de baixa potência, sendo considerados uma alternativa estratégica para levar energia limpa, segura e contínua a regiões de difícil acesso, como áreas isoladas, comunidades ribeirinhas ou pequenas cidades afastadas dos grandes centros urbanos.

Após a conclusão dos testes, será realizada a qualificação dos processos produtivos, etapa padrão da INB para validar e documentar os métodos de fabricação. Na sequência, serão buscadas as autorizações da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) para a produção. “A participação da INB no projeto amplia seu papel no setor nuclear brasileiro e contribui para a abertura de um novo mercado voltado ao desenvolvimento de microrreatores nucleares”, reforça Palheiros.

Parceria em torno do projeto

Além dos funcionários da INB, representantes das empresas Diamante Energia e Terminus Energia – que integram o grupo responsável pela execução do projeto – acompanharam as etapas de produção e de controle de qualidade das varetas de teste.

O representante da Terminus Energia, Adolfo Braid, destacou que a parceria com a estatal é decisiva para a viabilidade do projeto. “A INB é a única fabricante de combustível nuclear no Brasil com tecnologia licenciada, e sua participação é fundamental para o sucesso do programa. Sem essa parceria, o projeto simplesmente não existiria”, afirmou.

O gerente de produção da INB, Marcos Mattos, reforça que a visita técnica dos representantes das empresas traz benefícios diretos para todos os envolvidos. “Com a vinda deles é possível a validação in loco dos processos, o alinhamento técnico e operacional e identificações rápidas de possíveis oportunidades de melhoria”, explica.

Histórico

O projeto, que visa o desenvolvimento e os testes de tecnologia aplicáveis aos microrreatores nucleares no Brasil, teve início em julho de 2025 e tem duração prevista de três anos. Representa um investimento total de R$ 50 milhões — sendo R$ 30 milhões em recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), através do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), e R$ 20 milhões da Diamante Energia.

Em dezembro, foi dada a partida para o processo de licenciamento do local onde será implantado o protótipo do primeiro microrreator nuclear do país, no Instituto de Engenharia Nuclear da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), no Rio de Janeiro.

Esse empreendimento inédito no Brasil reúne um total de 13 parceiros, divididos em empresas privadas e públicas, órgãos de apoio e fomento e instituições e universidades públicas.

Fundação na década de 80

Fundada em 1988, a Indústrias Nucleares do Brasil incorporou as empresas que faziam parte da Nuclebrás, criada para cumprir o Acordo Nuclear Brasil – Alemanha. Com o objetivo de concentrar todo o ciclo de produção do combustível nuclear – desde a mineração até a montagem e entrega do elemento combustível -, a INB foi idealizada para impulsionar a produção da energia nuclear no país.

Um dos marcos na produção de energia nuclear no Brasil foi o desenvolvimento da tecnologia de ultracentrifugação no final da década de 1970.