A Secretaria de Saúde de Barra Mansa, por meio da Coordenadoria de Vigilância em Saúde Ambiental, está reforçando as orientações à população sobre a prevenção da leptospirose. A doença infecciosa é causada pela bactéria Leptospira e transmitida principalmente pelo contato com água contaminada pela urina dos ratos.
De acordo com a médica veterinária e supervisora técnica da Vigilância em Saúde Ambiental, Millena Borges, o período chuvoso aumenta o risco de contaminação, especialmente em locais atingidos por enchentes ou alagamentos. “Nesta época de chuvas, a probabilidade de contrair leptospirose é maior. As pessoas que tiveram suas casas afetadas por alagamentos devem redobrar a atenção, principalmente durante a limpeza e reorganização do imóvel”, explicou.
Millena destaca que o uso de equipamentos de proteção é fundamental nesse momento. “Durante a limpeza é indispensável utilizar galochas e luvas de proteção, já que a bactéria pode penetrar no organismo humano através da pele, especialmente quando há pequenas lesões ou ferimentos”, orientou.
No meio urbano, o principal transmissor da leptospirose é o rato de esgoto. No entanto, outros animais também podem atuar como reservatórios da bactéria, como cães, equinos e bovinos. Esses animais podem abrigar a bactéria nos rins e eliminá-la no ambiente por meio da urina, contaminando água, solo e alimentos por meses ou até anos.
A supervisora técnica ressalta ainda que não existe vacina específica para a leptospirose. “O que a Secretaria de Saúde disponibiliza é a vacina antitetânica, que deve ser atualizada a cada dez anos. Embora não previna a leptospirose, ela é importante para evitar outras infecções relacionadas a ferimentos”, explicou.
Outra orientação importante é evitar o consumo de alimentos que tenham tido contato com a água de enchentes. Caso pessoas que tiveram contato com água de chuva ou de alagamentos apresentem sintomas como febre, dores musculares e alteração na coloração da urina, a recomendação é procurar uma unidade de saúde. “Nesses casos, o paciente deve buscar atendimento médico para avaliação e realização de exame de sorologia, que pode investigar a presença da doença”, acrescentou Millena.
Apesar de ser uma doença potencialmente grave, a leptospirose tem tratamento e o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações. Se não tratada rapidamente, a infecção pode evoluir para a forma mais grave, conhecida como doença de Weil.
O período de incubação da doença geralmente varia entre sete e 14 dias após o contato com água contaminada. Após esse intervalo, os sintomas podem variar de quadros leves até manifestações mais graves. Durante a evolução da doença, o paciente pode apresentar icterícia (olhos amarelados), pele avermelhada, diminuição da produção de urina devido a lesões nos rins, comprometimento pulmonar, além de intensificação das dores musculares e de cabeça. Em uma pequena parcela dos casos, a doença pode evoluir para quadros graves e até fatais.