O município de Volta Redonda vai ampliar a parceria entre o Brasil e Angola para o fortalecimento do sistema público de saúde do país africano. Nesta semana, a comitiva do Instituto Angolano de Controle do Câncer (IACC), formada pelo físico médico Higidio Miezi Eduardo, que é assessor de Direção do instituto, e por Adelina Virgílio David da Silva, que atua na gestão de pessoal, conheceu de perto o programa Prevenir – de rastreio organizado para o câncer do colo do útero – e o trabalho da Linha de Atenção Oncológica (LAO), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
A visita a Volta Redonda estreitou a relação do município com o Instituto Angolano de Controle do Câncer, que já recebeu a coordenadora da LAO e do Prevenir, a médica-oncologista Luciana Francisco Netto, em outubro de 2025, quando foram apresentados os programas da SMS em Angola. Na ocasião, o convite partiu do diretor do IACC, o médico Fernando Miguel, por meio da médica sanitarista Liz Almeida – “madrinha” do Prevenir – a quem conhecia por conta da parceria entre o Inca (Instituto Nacional do Câncer), que fica no Rio de Janeiro, e o instituto africano.
Os profissionais do IACC, nos dois dias que ficaram em Volta Redonda (quarta e quinta-feira, dias 28 e 29), conheceram parte da estrutura e do trabalho da rede municipal de saúde – a Policlínica da Mulher Dr. Júlio Pereira Gomes, unidade de Média Complexidade; e a Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) Jardim Belmonte, da Atenção Primária – com foco no rastreio, prevenção e diagnóstico precoce do câncer. Eles ainda estiveram no UniFOA (Centro Universitário de Volta Redonda) e no H.FOA (Hospital da Fundação Oswaldo Aranha) – responsável pela Unacon (Unidade de Alta Complexidade em Oncologia) da cidade.
O médico angolano, Higidio Miezi, elogiou a estrutura de saúde de Volta Redonda e destacou a capacidade de humanização do tratamento, a experiência e a dedicação dos profissionais, comprometidos com a saúde da população. “O trabalho na Policlínica da Mulher, por exemplo, é um desafio a ser copiado por nós. Angola tem a maioria da população formada por mulheres e sabemos que: se a mulher adoece, a família adoece. E se a família adoece, a sociedade adoece, o país adoece”, falou.
Adelina da Silva concordou com o colega e reforçou que o sistema de trabalho é um exemplo a ser seguido. “A comunicação entre a Atenção Primária, o serviço especializado e o hospital é fundamental para obter bons resultados. “O cuidado com os casos que vêm das unidades básicas, as consultas com especialistas, a agilidade na marcação dos exames e o diagnóstico rápido e preciso aumentam a chance de cura do câncer”, afirmou.
Médicos e enfermeiros de Angola vão passar por capacitação em VR
A médica sanitarista Liz de Almeida, que acompanhou os profissionais angolanos no município, reforçou que a cooperação entre Brasil e Angola se baseia em laços históricos, a língua e na troca de experiências para melhorar a gestão e o atendimento no sistema de saúde do país africano.
“Já existe uma parceria entre o Instituto Nacional de Câncer (Inca) do Rio de Janeiro e o de Angola, que visa capacitar profissionais em oncologia. Agora, eles levam outra experiência positiva do país, que é o programa Prevenir, de Volta Redonda, para replicar o modelo em Angola”, contou.
A coordenadora da LAO, Luciana Netto, explicou que o roteiro em Volta Redonda foi pensado para que os profissionais de Angola entendessem o processo. “Conhecendo o trabalho da Policlínica da Mulher e de uma unidade da Atenção Primária, eles tiveram uma ideia de como é o trabalho de rastreio organizado do programa Prevenir”, disse a médica, lembrando que o próximo passo é treinar os profissionais do país africano para replicarem o método lá.
A enfermeira Nathália Beatriz de Almeida, que também faz parte da coordenação do Prevenir, falou que a ideia é descentralizar o atendimento do IACC e implantar o modelo de média complexidade – consultas com especialistas e exames – com foco na prevenção e diagnóstico precoce do câncer.
“Para isso, é necessário treinar os profissionais de Angola. A ideia é que eles venham para a cidade e sejam capacitados na rede municipal de saúde e pelo UniFOA, principalmente na questão do rastreamento organizado e na prevenção ao câncer”, explicou Nathália.
O prefeito Antonio Francisco Neto se mostrou empolgado em ampliar os bons resultados do Prevenir e da LAO para outro continente. “É um orgulho fazer parte dessa parceria entre Brasil e Angola para melhorar o sistema de saúde deles. E, em relação ao câncer, Volta Redonda está mesmo um passo à frente. É muito bom poder compartilhar e exportar essa experiência de sucesso”, disse o prefeito, contando que, em março próximo, espera o diretor do IACC, Fernado Miguel aqui na cidade.
Turistando em VR
A visita a Volta Redonda terminou com passeio na van do projeto Turistando em VR, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Smdet). Higidio Miezi, Adelina da Silva e Liz de Almeida conheceram pontos de relevância histórica e cultural do município.
O roteiro do city tour, feito na tarde dessa quarta-feira, dia 29, incluiu o Marco Zero, local onde Volta Redonda foi fundada, em frente à Igreja de Santo Antônio, no bairro Niterói; o Memorial 9 de Novembro, monumento de autoria do arquiteto Oscar Niemeyer; o Hotel Bela Vista; além do Memorial Zumbi, da Biblioteca Municipal Raul de Leoni, do Espaço das Artes Zélia Arbex, do Centro Cultural da Fundação CSN, da Praça Brasil, todos na Vila Santa Cecília.