Competição reuniu disputas em 14 modalidades esportivas
Encerrada no fim de fevereiro, a 75ª edição da Olimpíada Acadêmica da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) reuniu cerca de 1.600 cadetes em uma programação esportiva que movimentou diferentes instalações da Seção de Educação Física da Academia, em Resende (RJ). A competição envolveu alunos de diversos cursos e teve como proposta estimular o desempenho físico, a convivência entre os futuros oficiais do Exército Brasileiro e a vivência de valores associados à formação militar.
Durante a edição de 2026, os participantes disputaram 14 modalidades esportivas. Entre elas estavam práticas amplamente conhecidas, como atletismo e natação, além de provas com características próprias do ambiente militar, como o Pentatlo Militar, a Orientação e o Tiro. As disputas envolveram cadetes da Infantaria, Artilharia, Cavalaria, Engenharia, Material Bélico, Comunicações, Intendência e do Curso Básico, que competiram pelos troféus Duque de Caxias, Agulhas Negras e Maria Quitéria.
Além das competições, a programação também contou com atividades voltadas ao intercâmbio de experiências esportivas. A Comissão de Desportos do Exército convidou atletas de alto rendimento para participar da olimpíada e compartilhar conhecimentos com os cadetes. Entre eles esteve o sargento dos Santos, judoca e campeão brasileiro da modalidade, que conduziu uma oficina de judô durante o evento.
“Nós que estamos no meio competitivo de alto rendimento, estar aqui ajudando na competição e auxiliando o esporte, em especial, no meio militar é de um ganho mútuo”, disse ele.
Outro atleta presente foi o 3º sargento Luiz Maurício da Silva, especialista no lançamento de dardo. Em 2025, ele estabeleceu recorde sul-americano e brasileiro ao alcançar a marca de 91 metros, tornando-se o primeiro atleta da América do Sul a ultrapassar a barreira dos 90 metros na prova. Considerado um dos principais nomes da modalidade no continente, o militar participou das atividades esportivas e acompanhou as competições realizadas durante a olimpíada.
Marcas esportivas e participação feminina
A edição também registrou novos resultados expressivos nas provas disputadas pelos cadetes. No Troféu Maria Quitéria, a cadete Ana Beatriz, do Curso Básico, quebrou dois recordes nas provas de atletismo. No arremesso de peso, alcançou 10,51 metros, superando a marca anterior de 9,54 metros registrada em 2025. No salto em altura, atingiu 1,45 metro, ultrapassando o recorde de 1,42 metro estabelecido em 2023. Com os resultados, a cadete tornou-se a atleta mais laureada da competição.
Outro destaque foi o cadete Amorim, que somou medalhas em diferentes modalidades. No Pentatlo Militar, conquistou três medalhas de ouro nas categorias cross country individual, geral por equipe e geral individual. No atletismo, obteve dois ouros nas provas de 4×400 metros e 800 metros, além de mais um ouro na natação, integrando a equipe vencedora do revezamento 4×50 metros livre.
Entre as participações registradas ao longo da olimpíada também esteve a presença feminina no pódio em disputas relacionadas à área de Comunicações, fato apontado como um marco para o segmento. A cadete Martins, vencedora na prova de atletismo, comentou o significado da conquista.
“Ser representante do segmento feminino na Arma de Rondon e fazer história, no meio de tantos protagonistas é uma honra”, declarou.
Competição e convivência entre cadetes
Ao longo das disputas, as competições foram acompanhadas por colegas e torcidas organizadas entre os próprios cursos, que incentivaram os atletas nas diferentes provas realizadas na Academia. Para o comandante do Corpo de Cadetes, coronel Luis Antonio, o evento integra o calendário tradicional da instituição e tem papel relevante na formação dos alunos.
“A Olimpíada Acadêmica se tornou um evento tradicional, já faz parte do calendário resendense. É também momento de desenvolver atributos importantes para o cadete, com destaque para o convívio, o desenvolvimento físico e, o mais importante, os valores e atitudes”, afirmou o coronel.
Entre os participantes, o cadete Lucas Macedo, do Curso de Infantaria, também destacou aspectos da experiência vivida durante a competição.
“Todos os valores que recebemos aqui, como humildade e perseverança, caminharão conosco para o resto de nossas vidas”, afirmou o cadete.
Realizada anualmente, a Olimpíada Acadêmica integra atividades esportivas ao processo de formação militar dos cadetes da AMAN, que agora se preparam para outra competição tradicional entre academias militares: a NAVAMAER 2026, prevista para agosto.
A Aman é a instituição de ensino superior responsável pela formação dos oficiais combatentes de carreira do Exército Brasileiro.