Decisão contraria Ministério de Minas e Energia que exonerou o chefe de gabinete no ano passado
Por Sônia Paes
A Nuclep (Nuclebrás Equipamentos Pesados) iniciou o ano sob nova direção, mas não durou nem 20 dias a tranquilidade na empresa, criada para atender o Programa Nuclear Brasileiro. A nomeação de Marcelo Perillo como chefe de gabinete de Adeilson Ribeiro Telles, o novo presidente da estatal, voltou os holofotes para o setor energético, alvo de disputa política interna no governo federal.
Na edição desta segunda-feira, dia 19, a coluna Magnavita classifica o caso como explosivo e compara a ida de Perillo para a Nuclep como uma possível à volta de Marcelo Sereno ao PT. A surpresa com relação a Perillo ocorre por conta da rapidez como foi realizada a nomeação – menos de 20 dias após a posse de Adeilson – e pelo fato de ele ter sido exonerado, em outubro do ano passado, pelo Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Ou seja: Adeilson atropelou o próprio ministério e o Conselho de Administração da empresa. Além disso, Perillo tem uma extensa ficha de denúncias, incluindo suposto envolvimento em investimentos fraudulentos. E mais: responde ainda a processos criminais. É investigado por órgãos como Tribunal de Contas da União, Ministério Público Federal e foi alvo da Operação Greenfield, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, em 5 de setembro de 2016, com a finalidade de investigar um desvio dos fundos de pensão, bancos públicos e estatais.
Da esperança à polêmica
A nomeação do novo presidente da Nuclep foi festejada por companheiros de trabalho e pelo sindicato da categoria. Em 2023, ele foi Assessor de Relações Trabalhistas da Nuclep. Em maio de 2024, tornou-se de Gerente-Geral da Presidência.
Quando da sua nomeação, em janeiro, ele deu uma declaração que animou até o meio sindical: “A empresa é construída por pessoas. Nossa gestão estará comprometida com a valorização do trabalhador, com o fortalecimento das políticas públicas sociais e com a união da organização em torno de um projeto consistente de desenvolvimento industrial para o Brasil”.
O curriculum de Adeilson, no entanto, tem suspeita de envolvimento de desvio de dinheiro. Em 2018, foi investigado e preso na Operação Rizoma por, supostamente, ter participado de fraude nos fundos Postalis/Serpros.
Disputa acirrada
A briga pela nomeação em cargos estratégicos do setor nuclear é antiga e deixou de levar em consideração a questão técnica ou conhecimento do setor. A situação acirrou somente por causa das eleições, batendo à porta. Gleise Hoffman, ministro de Relações Institucionais, com as malas prontas para deixar o governo e iniciar sua campanha para o Congresso Nacional, é a madrinha de Adeilson. Lula teria atendido o pedido da ministra e de integrantes da bancada fluminense do partido e irritado outros setores do PT, segundo o deputado federal e ex-prefeito de Maricá, Washington Quaquá. A informação sobre a nomeação de Perillo e as reações da mesma foi dada em primeira mão pelo Petronotícias. Ao site, Quaquá falou sobre o “risco de um potencial escândalo atingir o partido e o presidente Lula. Já alertei o ministro Alexandre Silveira.”
Sobre a Nuclep
Criada para atender ao Programa Nuclear Brasileiro, a Nuclep tem posição geográfica estratégica, propositalmente localizada em Itaguaí, a alguns quilômetros da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), onde estão instaladas as usinas nucleares do Brasil, e acessível também pelo seu Terminal Portuário Privativo. Detalhe: tem um heliponto próprio com um local de pouso e decolagem.
É atualmente um dos principais aquecedores da economia da região da Costa Verde, no Estado do Rio. Produz equipamentos pesados e estratégicos à diversos setores da indústria, atuando nas áreas nuclear, offshore, químico/petroquímico, naval, siderúrgica, mineração, hidrelétrica, termoelétrica, petróleo e gás.