Eletronuclear renegocia dívida de R$ 3,8 bilhões com a CEF

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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Ministério da Fazenda, Fernando Haddad, ratificou a garantia da União para o empréstimo de R$ 3,8 bilhões contraído pela Eletronuclear junto à Caixa Econômica Federal para a construção da usina nuclear de Angra 3. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União de sexta-feira, dia 20. A estatal federal, responsável pela gestão das usinas nucleares do país, tenta ainda negociar um aditivo e suspender o pagamento das parcelas até o fim deste ano. Se emplacar, as parcelas começariam a ser pagas à CEF somente em janeiro de 2027.

As negociações em torno desse empréstimo, feito ainda em 2013, para a compra de equipamentos importados e contratação de serviços para Angra 3, acontecem desde o ano passado em meio ao risco de o caixa da empresa colapsar, segundo a informações da própria diretoria da Eletronuclear.


A liberação feita pelo governo Lula ocorreu três dias depois de a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovar a emissão de R$ 2,4 bilhões em debêntures da Eletronuclear a serem adquiridos pela antiga Eletrobras (atual Axia Energia). Detalhe: as debêntures devem ir para a Âmbar, que comprou a participação da Axia na Eletronuclear. O acordo previa a integralização dos títulos de dívida.

As medidas não significam que as obras de Angra 3 serão retomadas. A indecisão sobre a usina nuclear continua e está sob a responsabilidade do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), colegiado integrado por 17 ministros. Uma reunião marcada para dezembro para discussões ligadas ao setor nuclear foi adiada sem ter nova data específica. Com isso, o governo tem um verdadeiro abacaxi para descascar. Precisa decidir entre gastar R$ 24 bilhões para concluir as obras ou até R$ 26 bilhões para enterrar o projeto.