Delegada da Deam afirma que farda não garante impunidade

Título do Post Incrível
Glória Amorim e a Delegada Juliana Montes em ato na Praça Sávio Gama. Foto: Adriana Cópio/PMVR

Juliana: ‘É inaceitável práticas de violência contra mulher’

*Por Isadora Ventura

A delegada titular da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Juliana Montes, afirmou que ter farda não garante impunidade. A declaração foi dada no ato realizado esta semana em Volta Redonda e refere-se ao caso de um PM que tentou matar a ex-mulher. “As mulheres podem ter confiança no trabalho das DEAMs. É um trabalho sério e não existe influência, não existe cargo que vá trazer algum benefício para nenhum agressor – afirmou Juliana, em entrevista ao Correio Sul Fluminense. Ainda segundo ela, a prisão do ex-marido de Daiane só foi possível graças a uma ação integrada:

“Divulgamos a placa e a identificação dele para a Polícia Federal, PRF e policiais de outros estados. Tivemos diversos agentes trabalhando até que a PM conseguiu prendê-lo quase saindo do estado, fugindo para Minas Gerais. A Justiça não vai falhar”, ressaltou.

A delegada também analisou o caso da loja incendiada na Vila Mury, classificando-o como violência patrimonial simbólica. “Para agressores, a submissão patrimonial é um mecanismo de controle. Homens que não deixam as mulheres trabalhar ou estudar fazem isso para diminuí-las”, destacou Juliana.

O ato na praça

Após o recente caso de violência contra a mulher em Volta Redonda, a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres e Direitos Humanos convocou a população e o poder público para um ato de repúdio à violência contra as mulheres, indignação e memória. O protesto contou com a presença da secretária da pasta, Glória Amorim, da delegada Juliana Montes (DEAM-VR), familiares da vítima, das vereadoras Gisele Klingler e Carla Duarte, do deputado estadual Munir Neto, do vereador Raone Ferreira, além de representantes da população.

Importância da denúncia

Gloria Amorim afirmou que a mulher que sofre violência deve fazer a denúncia. “Ela tem que denunciar essa violência que ela sofre, com o marido, com o companheiro, com o namorado ou com o irmão. Porque se não denunciar a sentença dela e a morte. Por que hoje nós ainda temos uma sociedade machista e patriarcal e nos temos que trabalhar muito para que isso seja destruído no Brasil” disse.

A delegada Juliana Montes fez coro às declarações de Glória Amorim e reforçou o peso do momento. “O simbolismo de um ato como esse e muito forte. É um ato de indignação e repúdio ao aumento do índice de violência doméstica e familiar contra a mulher no Brasil. Isso é inaceitável estamos em 2026 e já passou da hora da sociedade evoluir. O machismo e estrutural a misoginia e o desprezo que existe e a objetivação dos corpos das mulheres e a origem da violência e nos precisamos acabar com isso”, afirmou a delegada, que finalizou seu discurso chamando à frente os familiares da Daiana Menezes vítima recente de tentativa de feminicídio.

*Com supervisão de Sônia Paes