Comunicado foi divulgado à CVM após divulgação de venda do negócio do aço
Em um comunicado divulgado a investidores na terça-feira (27), a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) disse que avalia alternativas para gerar caixa à empresa e descartou que a decisão de vender todos os seus ativos siderúrgicos já tenha sido tomada. O aviso responde a um ofício registrado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que pedia informações sobre o tema.
O assunto chegou à autarquia depois da publicação de uma reportagem do jornal Valor Econômico que apontava que a CSN já vinha sondando concorrentes sobre um eventual interesse deles em comprar seus ativos siderúrgicos. O texto diz que em breve a empresa deve contratar um banco para assessorá-la nesse desinvestimento.
No comunicado, a CSN diz que a reportagem teve como base um fato relevante publicado pela empresa no último dia 15, quando a companhia informou que pretende, ainda neste ano, iniciar a venda de ativos importantes do grupo com o objetivo de desalavancar entre R$ 15 a R$ 18 bilhões. Na ocasião, a CSN informou que pretende se concentrar nos segmentos de “maior rentabilidade, crescimento e sinergias.”
Segundo a empresa, no entanto, “o estágio atual envolve a avaliação de alternativas/parcerias com foco na maximização da geração de caixa no curto prazo”. Não há, ainda de acordo com a CSN, até o momento, qualquer conclusão que exija uma comunicação formal por parte da Companhia.
“Como a própria matéria informou, nem mesmo o assessor financeiro foi contratado para essa operação específica, o que evidencia o estágio ainda inicial dessa avaliação”, afirmou a empresa no comunicado.
“Sobre a informação de que já existem eventuais compradores e participações definidas a serem objeto de desinvestimento, trata-se de mera especulação, uma vez que não existe, por ora, avanço significativo para um projeto que acabou de ser anunciado”, acrescenta.
Criada no governo Getúlio Vargas
A reportagem do Valor chama atenção, principalmente, porque a produção de aço é o ativo-mãe da CSN. A empresa foi criada ainda no governo de Getúlio Vargas, como parte das políticas desenvolvimentistas do então presidente.
Nos últimos anos, no entanto, o setor de aço da CSN tem visto suas margens reduzirem, enquanto o de mineração tem sido o responsável por elevar as margens da empresa. No terceiro trimestre de 2025, por exemplo, a margem Ebitda (principal índice do mercado financeiro para calcular a rentabilidade de um negócio) do negócio siderúrgico da CSN foi de 8,1%, enquanto o de mineração de 43,9%. A empresa também tem braços de logística, energia e cimento.
De acordo com uma pessoa que acompanha as operações da CSN de perto, os ativos do Grupo de Benjamin Steinbruch em Volta Redonda-RJ, onde ela opera uma de suas plantas, precisam ser modernizados para garantir que a empresa consiga continuar competitiva, principalmente frente à crescente importação de aço chinês no país. Essas obras, segundo essa fonte, custariam cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões).
Por Pedro Lovisi – Folhapress