Em meio a negócio, empresa nega IPO da unidade como alternativa à venda
O Grupo CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), presidido por Fabio Schvartsman, entrou na fase final das negociações para vender sua divisão de cimentos, com a finalidade de tirar do papel o plano de redução da dívida bilionária, que ultrapassa R$ 40,5 bilhões. Entre os interessados na CSN Cimentos, estão a chinesa Huaxin e um consórcio formado pela Votorantim e pela italiana Cementir.
Em meio às negociações, a direção da CSN teve que divulgar um fato relevante ao mercado, nesta terça-feira, dia 20, para esclarecer boatos de que a empresa iria realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO) da CSN Cimentos como alternativa à venda da unidade. O comunicado foi feito após uma reportagem da Coluna do Broadcast apontar dificuldades para concluir um acordo com os interessados e mencionar a possibilidade de abertura de capital da operação diante da demora para fechar a transação.
No comunicado, a companhia afirmou que a informação não corresponde à realidade e não reflete o estágio atual das negociações. A CSN reiterou que o processo competitivo para a alienação da divisão cimenteira segue em fase final de negociação com os potenciais compradores. A empresa também afirmou que manterá os acionistas e o mercado informados sobre eventuais desdobramentos relevantes, conforme a regulamentação vigente.
Venda é prioridade, diz empresa
A alienação da CSN Cimentos é uma das principais iniciativas previstas no plano de desalavancagem da companhia. Nos últimos meses, a empresa indicou que pretendia concluir a operação até o terceiro trimestre de 2026, mas o prazo terminou sem o anúncio de um acordo.
Em agosto, fontes ouvidas pela Reuters relataram que as negociações continuavam indefinidas devido a divergências sobre o preço da unidade.
Inicialmente, a CSN pretendia vender a divisão por cerca de R$ 15 bilhões. Posteriormente, segundo as fontes, a expectativa teria sido reduzida para pelo menos R$ 12 bilhões, enquanto as propostas iniciais giravam em torno de R$ 10 bilhões.
O Morgan Stanley atua como assessor financeiro da operação. No início de outubro, a Coluna do Broadcast informou que o presidente do conselho de administração da CSN, Benjamin Steinbruch, deveria definir qual interessado teria exclusividade nas negociações.
Mercado de olho na negociação
A conclusão da venda é considerada importante para a estratégia financeira da CSN, diante do elevado nível de endividamento e da necessidade de reforçar a estrutura de capital do grupo.
O processo também representa um dos principais desafios do novo CEO, Fabio Schvartsman, que assumiu o comando da companhia com a missão de acelerar a desalavancagem.
Ao negar a possibilidade de um IPO e reafirmar que as tratativas estão na fase final, a CSN busca reforçar que a venda continua sendo o caminho previsto para a divisão de cimentos.
Apesar do posicionamento da companhia, investidores aguardam o anúncio de um acordo definitivo, que deverá esclarecer o valor da transação, a escolha do comprador e o impacto da operação sobre o endividamento do grupo.