Cida Diogo fala sobre mulheres nas eleições

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Cida Diogo estava no comando da gestão dos hospitais federais do Rio. Foto: Redes Sociais

Ex-deputada federal diz que barreiras começam antes mesmo da candidatura

A presença feminina ainda é minoria na disputa por cadeiras na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e na Câmara dos Deputados. Levantamento do Correio Sul Fluminense a partir da base do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualizada nesta terça-feira (18), mostra que, das 1.950 candidaturas aos dois cargos no estado, 650 são de mulheres. Os homens somam exatamente o dobro: 1.300.

Elas representam 33,33% dos registros, contra 66,67% deles. Para deputado estadual, são 386 mulheres e 782 homens entre 1.168 candidatos. Na disputa federal, há 264 mulheres e 518 homens, num total de 782. Os números ainda podem mudar, já que parte dos pedidos de registro segue em análise pela Justiça Eleitoral.

A participação feminina fica pouco acima do mínimo previsto pela legislação para as eleições proporcionais. Partidos e federações devem preencher ao menos 30% das candidaturas com pessoas de cada sexo.

Sul Fluminense tem mulheres na disputa

Na região, o cenário ganha nomes de mulheres que buscam espaço na Alerj e na Câmara. O levantamento da reportagem identificou candidaturas ligadas a diferentes municípios do Sul Fluminense, algumas delas de mulheres que já passaram pelas urnas em disputas municipais.

Em Barra Mansa, Elaine Constantino, do Novo, concorre a deputada estadual. Resende tem Jad Ávila, do PSTU, e Kamila Kisuco, do Podemos, entre as candidatas à Alerj. Em Piraí, Tatiana Oliveira, do União Brasil, também aparece na disputa estadual.

A lista inclui ainda nomes ligados a Volta Redonda, Itatiaia, Vassouras, Valença, Barra do Piraí e Angra dos Reis. Entre elas estão mulheres com diferentes trajetórias na política local, de antigas candidatas a cargos municipais a nomes que agora tentam ampliar a atuação para o Legislativo estadual ou federal.

A presença delas, no entanto, ocorre em um cenário no qual, a cada mulher candidata aos dois cargos no Rio, há dois homens na disputa. Para a ex-deputada Cida Diogo, que construiu sua trajetória política em Volta Redonda, essa diferença está relacionada a barreiras que começam antes mesmo de uma candidatura.

— O nosso país ainda é muito machista e essa cultura machista se reflete em todas as áreas. No mundo do trabalho, são poucas mulheres ocupando cargos de poder, nas relações familiares são os homens que tomam as decisões e na política não é diferente, porque nos partidos políticos são os homens que ocupam a maioria das direções partidárias — afirmou.

Obstáculos além das urnas

Atual superintendente do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, Cida também aponta a divisão das responsabilidades familiares e as condições das campanhas entre as dificuldades enfrentadas por mulheres que decidem entrar na política.

— Para as mulheres tudo é mais difícil na política, desde o tempo necessário para atuar, porque são as mulheres que acabam se responsabilizando por cuidar da casa e da família, até o financiamento das campanhas eleitorais, porque os recursos de campanha são sempre priorizados para as candidaturas masculinas — disse.

A ex-deputada afirma enxergar o surgimento de novas lideranças femininas, mas avalia que elas ainda encontram dificuldades para chegar aos principais espaços de decisão. Segundo Cida, mesmo entre aquelas que conseguem construir uma trajetória política, são poucas as indicadas para presidir parlamentos ou comissões nas casas legislativas.

Fora da disputa parlamentar de 2026, Cida afirma que não pretende voltar a concorrer a uma cadeira no Legislativo.