Canetas emagrecedoras sem acompanhamento tornam-se risco à saúde

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Segundo nutróloga, uso inadequado pode implicar na piora de sintomas gastrointestinais e impactar a absorção de nutrientes. Foto: Divulgação

Processo simples de medicamento ‘viral’ banaliza monitoramento médico

Por Ana Luiza Rossi

Para aqueles que sempre buscaram estar no peso ideal, com medidas reduzidas e alcançar o tal ‘corpo perfeito’, um novo aliado – ou inimigo – veio colaborar com a chamada era do emagrecimento: as famosas canetas emagrecedoras injetáveis, que possuem substâncias que agem na redução de apetite para perda de peso.

Não é difícil acessar as redes sociais e ver a aplicação das canetas sendo realizadas pelo próprio paciente, afinal, o processo é simples. Ao Correio Sul Fluminense, uma entrevistada que preferiu não se identificar, afirmou que resolveu optar pelo uso do medicamento já que nunca conseguiu emagrecer sem remédios.

– Resolvi optar por estar acima do peso e com glicose alta. Comprei a ampola de uma amiga e perdi 10 quilos em um mês, sem sentir efeitos colaterais. O medicamento tira a fome total e o desejo de comer por compulsão, estou apaixonada no efeito dessa medicação – afirmou.

Uso por conta própria e efeitos colaterais

E é justamente a “simplicidade” do processo que tem provocado o uso sem acompanhamento médico. Segundo a nutróloga Anna Carolina Albuquerque, as chamadas canetas emagrecedoras, como Semaglutida e Tirzepatida, agem em hormônios intestinais para ajudar a reduzir a fome, aumentar a sensação de saciedade e, em alguns casos, também melhorar o controle da glicose. “Não se trata de uma solução milagrosa para emagrecimento, mas um medicamento que interfere diretamente em mecanismo hormonais e metabólicos do organismo”, afirmou.

Ainda segundo a médica, este tipo de medicamento são indicados para pacientes com obesidade ou sobrepeso associado a doenças metabólicas, como diabetes tipo 2, resistência à insulina, hipertensão ou dislipidemia.

– O uso sem prescrição pode levar a doses inadequadas, uso em pessoas com contraindicações e ausência de acompanhamento dos efeitos no organismo. Sem avaliação médica, o risco de efeitos adversos e complicações aumenta significativamente – pontuou a nutróloga.

Entre os efeitos colaterais que podem surgir com o uso inadequado da caneta são vômito, diarreia, constipação, dor abdominal, tontura, fraqueza e desidratação. “Também pode haver piora de sintomas gastrointestinais e impacto na absorção de nutrientes. Quando utilizamos sem critério e acompanhamento, esses medicamentos podem trazer mais riscos do que benefícios”, disse, acrescentando que o aumento da dose não acelera o emagrecimento e pode intensificar os efeitos colaterais.

– Segurança do paciente sempre deve vir antes da pressa em resultado, e o tratamento precisa ser individualizado e bem monitorado – concluiu.

Venda clandestina e falsificações

Ainda mais grave que utilizar sem uso do acompanhamento médico, é a comercialização. A prática da venda clandestina de medicamentos, sem ser uma instituição, empresa ou estabelecimento classificado para tal, tem crescido cada vez mais por todo país. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os preços atrativos e a fácil acessibilidade são os principais fatores para que os consumidores decidam comprar.

No início do mês, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu cerca de 160 frascos de Tirzepatida T.G 15 (Mounjaro), adquiridos no Paraguai. A ação ocorreu no km 324 da rodovia Presidente Dutra (BR-116), sentido Rio de Janeiro, no município de Itatiaia (RJ), na região Sul Fluminense do estado. Os produtos não estavam acondicionados sob refrigeração, o que pode comprometer sua eficácia e elevar os riscos à saúde dos consumidores, sendo a ocorrência encaminhada à Polícia Judiciária.

O problema, é que nem sempre o medicamento encomendado é de fato é original. Para se ter ideia, nesta última sexta-feira (20) uma ação de fiscalização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão de lotes falsos do medicamento Mounjaro.

A fabricante Eli Lilly do Brasil informou ter encontrado, no mercado, unidades do lote D838838 com diferenças em relação ao produto original. Entre os problemas identificados estão a impressão do nome e de outras informações do rótulo com baixa qualidade (levemente borrada). A Anvisa determinou a apreensão dos produtos e proibiu seu armazenamento, comercialização, distribuição, importação e consumo.

Vale lembrar que a pena prevista para quem falsificar, corromper, adulterar ou alterar produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais pode chegar até 15 anos. A mesma punição se aplica a quem importar, vender, expor à venda, armazenar para comercialização ou, de qualquer forma, distribuir ou entregar ao consumo produtos nessas condições.