Setor marcou salto de 16,1% em relação ao mesmo período em 2025
Por Ana Luiza Rossi
Com otimismo para 2026, a Federação Nacional de Associações de Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) divulgou que o setor marcou uma alta de 1,7% em relação ao mês de janeiro, mesmo com o calendário reduzido do mês de fevereiro.
O levantamento é de que 1.363.383 unidades foram vendidas. Aliás, em comparativo com o mesmo período de 2025, foi registrado um salto de 16,1%, com 2.703.716 trocas de propriedade no acumulado do primeiro bimestre de 2026.
Para o presidente da Fenauto, Everton Fernandes, o cenário é de otimismo, embora com a cautela típica. “Embora a Fenauto ainda não tenha definido, neste momento, uma projeção fechada de crescimento para 2026, e considerando que teremos fatores que tradicionalmente afetam o ritmo do mercado, como eleições e Copa do Mundo — que tendem a gerar momentos de cautela por parte do consumidor — acreditamos que será um ano bom para o setor”, afirmou o executivo.
Mercado segue tendência no interior
Aliás, o cenário de bom desempenho do mercado também já está sendo sentido pelos empresários do ramo no interior. Ao Correio Sul Fluminense, o empresário Maurilio Fortes, que é dono de duas concessionárias em Volta Redonda-RJ, afirmou que o mês de janeiro teve um bom desempenho.
Mesmo com os dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) que também indicaram um aumento de 8,6% no número de emplacamentos, ou seja, 185,2 mil carros zero quilômetro sendo comprados, os seminovos ainda atingem uma boa fatia da população pelo custo-benefício.
Aliás, Maurilio optou justamente por ter duas lojas para atender aos dois tipos de público. Na Ale Veículos, localizada no bairro Niterói, o empresário foca em modelos mais populares, com preços de no máximo até R$ 80 mil. Já na Ale Veículos Premium, no Aterrado, tem modelos seminovos e ‘zero’ de até R$200 mil, entre flex, híbridos e elétricos.
Apesar da diferença de preços, o empresário afirma que o consumidor de carros seminovos não fica nada atrás dos que optam por um veículo direto de fábrica.
– Eles são bem detalhistas e exigentes. Procuram geralmente veículos entre os anos 2020 e 2024, com baixa quilometragem e em bom estado de conservação. Hoje, temos cerca de 180 carros em estoque para atender todos os gostos – destacou.
Entre os principais pontos observados é a pintura impecável, pneus novos e claro, a economia que o modelo pode proporcionar. Aliás, a faixa de idade é ampla: de 30 anos até 70, tem pessoas adquirindo veículos seminovos.
O empresário apontou que entre os veículos mais procurados estão o de potência 1.0 turbo, que fazem cerca de 13 a 15 quilômetros por litro. Os modelos hatch são mais vendidos, seguidos do SUV e por fim, sedan. “Marcas que vendem bastante são Honda, Toyota, Hyundai, Fiat e a Volkswagen. São marcas já estabelecidas”, afirmou.
Outro fator atrativo para o consumidor apostar na compra de um seminovo é o financiamento. Segundo Maurilio, em sua loja ele consegue valorizar o veículo que o cliente já possui, com cerca de 80% do valor total financiado. E garante: trabalha com uma das menores taxas do mercado.
Elétricos ainda ganham espaço
O único veículo que ainda está alcançando o mercado de seminovos são os elétricos. Isso porque, segundo Maurilio, ainda possuem valores altos e a baixa autonomia em viagens com trajetos longos ainda deixam a desejar. Na dúvida, os consumidores preferem os veículos híbridos, ou seja, com dois motores: um a combustão, movido a gasolina, etanol ou diesel e o outro elétrico.
– Os elétricos ainda são veículos considerados novos. No entanto, a partir de 2027, acredito que já surjam modelos que devam entrar no setor de seminovos – concluiu.