TCU pressiona governo a tirar Angra 3 do impasse

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Instalações da Usina de Angra 1 na Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Foto: Divulgação
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Eletronuclear teve impacto financeiro de R$ 2,5 bi por causa de indefinição

A decisão do TCU, relatada pelo ministro Benjamin Zymler, estabelece duas etapas para que o governo decida se retomará a construção ou abandonará definitivamente o empreendimento. O Ministério de Minas e Energia (MME) terá até 120 dias para atualizar, se necessário, e disponibilizar os estudos técnicos e documentos necessários. Depois da entrega desse material, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) terá mais 120 dias para tomar a decisão.

A determinação, mais uma vez, coloca um prazo para uma discussão que se arrasta há décadas e envolve bilhões de reais investidos, custos adicionais para concluir a usina e despesas para manter estruturas e equipamentos

De acordo com o relatório do TCU, a falta de decisão sobre Angra 3 provocou um impacto financeiro estimado em R$ 2,5 bilhões para a Eletronuclear entre 2024 e meados de 2026. A estatal federal é responsável pela operação das usinas nucleares brasileiras e pela condução do projeto de Angra 3. A Eletronuclear encerrou 2025 com prejuízo líquido de R$ 142 milhões e dívida líquida ajustada superior a R$ 7,25 bilhões.

INB e ENBPar no radar

O problema alcança outras empresas públicas ligadas ao setor nuclear. As Indústrias Nucleares do Brasil (INB), responsável pelo fornecimento de combustível nuclear para Angra 1 e Angra 2, registraram prejuízo de R$ 156 milhões em 2025. Parte do resultado negativo está associada aos atrasos nos pagamentos da Eletronuclear.

Já a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), controladora das duas estatais e responsável pela participação brasileira na usina de Itaipu, viu seu lucro líquido cair de R$ 414 milhões, em 2023, para R$ 186 milhões, em 2025.

Obra parada desde 2015

A construção de Angra 3 começou na década de 1980 e passou por sucessivas interrupções. As obras foram novamente paralisadas em 2015 e, desde então, o empreendimento permanece sem uma definição definitiva sobre sua conclusão.

O projeto prevê uma capacidade instalada de aproximadamente 1.405 megawatts (MW), ampliando a geração de energia nuclear no país. Entretanto, a retomada exige novos investimentos e uma solução para o financiamento, além da atualização dos estudos técnicos e econômico-financeiros.

Em agosto deste ano, o TCU já havia iniciado um procedimento específico para acompanhar a situação da usina. Na ocasião, o ministro Benjamin Zymler destacou que o governo precisaria investir mais recursos para concluir o empreendimento e alertou para o aumento dos custos decorrente da demora na decisão.

Agora, a Corte estabeleceu prazos para que os órgãos responsáveis avancem na análise e apresentem uma decisão. A medida não determina a retomada nem o cancelamento da obra, mas busca impedir que o projeto continue sem uma definição administrativa.

Localizada em Angra dos Reis, a usina é um dos principais empreendimentos do setor energético na Costa Verde. A definição sobre seu futuro tem importância regional pelo porte do projeto e pelos possíveis reflexos sobre a atividade econômica, a cadeia de fornecedores e a geração de empregos vinculados à construção e à operação da unidade.