Flávio reforça sensação de insegurança e problemas econômicos. Lula pede respostas sobre o dinheiro para o filme Dark Horse
No primeiro debate com a presença dos dois principais candidatos à Presidência da República, a Band optou por um modelo mais livre, que propiciou a Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, candidato à reeleição, e Flávio Bolsonaro, do PL, trocarem ataques e acusações. O modelo propiciou diversos blocos de embate livre entre os dois candidatos.
O modelo acabou gerando um debate físico. Os candidatos podiam circular durante a resposta do outro. Flávio aproveitou isso melhor. Ficava atrás de Lula durante suas respostas, o que foi gerando maior tensão. Flávio parecia mais calmo. Lula mais nervoso. Em determinado momento, Flávio pediu a Lula que se aproximasse mais. “Não quero chegar perto de miliciano”, respondeu Lula. Acusações de “mentiroso” e “corrupto” se repetiram várias vezes.
No primeiro turno, nem Lula nem Flávio Bolsonaro participaram dos debates com os candidatos. Foi, portanto, o primeiro confronto entre ambos nestas eleições. Flávio reforçou questões relacionadas à criminalidade e a insegurança sentida pelas pessoas e aos problemas econômicos e de endividamento. Lula insistiu na questão do financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, perguntando por diversas vezes o que foi feito com os R$ 134 milhões pedidos por Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. E propôs a Flávio que ambos abrissem o sigilo das suas contas bancárias e telefônicas.
Segurança pública
O debate começou 15 minutos atrasado. E a primeira pergunta foi sobre segurança pública. “Vou declarar guerra ao narcoterrorismo. Vou classificar Comando Vermelho, PCC e outros grupos como como organizações narcoterroristas. Vou recuperar cada metro que foi tomado do povo brasileiro”, disse Flávio Bolsonaro. “Estamos combatendo o crime organizado da esquina ao andar de cima”, disse Lula. “Se o Congresso aprovar a PEC da Segurança Pública, vou criar imediatamente o Ministério da Segurança Pública” prometeu.
Mais adiante, houve um debate entre ambos sobre a saidinha dos presos. Flávio dizendo-se totalmente contrário. E Lula argumentando que o sistema prisional prevê a recuperação dos presos. Flávio ainda propôs a castração química de estupradores.
A segunda pergunta foi sobre economia. “Eu tenho a consciência histórica da dificuldade de governar este país. Tenho o orgulho de ter o país com alto grau de investimento. Nós precisamos fazer o dinheiro circular na mão das pessoas. Muito dinheiro na mão de poucos é pobreza e miséria. Muito dinheiro circulando na mão de muitos é riqueza”, respondeu Lula.
“O PT governa o país há 20 anos dois últimos 24 anos”, começou Flávio. “A sua vida melhorou? Há quanto tempo não coloca um pedaço de carne no seu congelador”, provocou.
Confronto direto
O clima esquentou quando começou o confronto direto. Os candidatos podiam fazer livremente pergunta aos outros. Lula começou perguntando a Flávio por que ele foi contra a licença-maternidade para mulheres funcionárias da Assembleia Legislativa quando era deputado estadual. O que você tem contra as mulheres?”, perguntou Lula. Flávio replicou mencionando a entrevista da lobista Roberta Lucshinger, que deu entrevista no sábado para a CNN. “Você não respondeu à pergunta. A Roberta é uma questão da Polícia Federal”. Flávio mencionou, então, o filho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva. “Você não conhece Roberta Lucshinger. Não conhece Lulinha também?”
Lula: Seu amigo André Mendonça que traga ele e ele será julgado. A quadrilha do INSS foi montada no governo do seu pai. Já arrecadamos R$ 6 bilhões da quadrilha.
“A mentira é o hobby da família Bolsonaro. Esse jovem contou 43 mentiras sobre Vorcaro”, disse Lula. Flávio escreveu na mão a palavra “Corrupto”. “Olha o que tem no meio da palavra: PT”.
Dark Horse
Lula perguntou sobre o financiamento de Dark Horse. “O melhor presidente do Brasil, que vai ter um filme maravilhoso”, respondeu Flávio. “Eu só estou pedindo uma coisa: o que você fez com os R$ 134 milhões? Se você não falar, não vou fazer outra pergunta para você”.
Os dois candidatos pouco falaram sobre suas ideias e propostas, focando mais no ataque de um contra o outro. Somente os jornalistas da Band fizeram perguntas programáticas.
Os dois candidatos falaram sobre saúde. “Vou botar padrão Einstein no SUS”, disse Flávio. O candidato do PL convidou o oftalmologista Claudio Lottemberg, que foi diretor do Hospital Albert Einstein para ser seu ministro da Saúde. “Vou criar um prontuário único eletrônico. Todas as informações no seu CPF. Na palma da sua mão, um atendimento muito rápido por telemedicina. Usando tecnologia, inteligência artificial. Quantas vezes você chega no posto de saúde e nem uma dipirona tem”.
“Só pode falar isso que ele falou quem não entende de saúde”, replicou Lula. “Ficaram quatro anos e foi o maior desastre na saúde”, referindo-se aos mais de 700 mil mortos na pandemia de covid-19. “Diz que vai levar o Einstein pro SUS. Vai privatizar o SUS?”, provocou. Mais adiante, Flávio Bolsonaro admitiu que a área de saúde não foi das mais positivas no governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio disse que irá criar em seu governo o Ministério da Produtividade, que irá, segundo ele, apresentar soluções para o cidadão evoluir. Ele disse, por exemplo, que irá conectar governo com empresas para que as pessoas saibam onde há oportunidade de emprego próximo de onde mora.
E negou que irá modificar o fim da escala 6×1 em seu governo. Disse que correu o Brasil e entendeu que a sociedade brasileira queria o fim desse modelo de trabalho.
Contas
Lula propôs a Flávio que ambos abrissem suas contas e seus sigilos. “Desafio você a amanhã abrir nossas contas bancárias, nossos sigilos telefônicos para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão”, propôs Lula. “Seu dinheiro é por fora. Nunca é na sua conta”, respondeu Flávio.
Os dois candidatos se enfrentarão em mais um debate antes do segundo turno. Na sexta-feira (23), haverá o debate na TV Globo.