Advogado do sindicato afirma que processo eleitoral foi feito com lisura
O ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense (Sindmetal-SF), Edimar Miguel, afirmou ao Correio Sul Fluminense que ingressou com questionamentos na Justiça para contestar o processo de eleição sindical que elegeu Odair Mariano presidente da entidade. Segundo Edimar, o processo foi marcado por supostas irregularidades e chegou até a pedir para que a categoria realizasse um ‘boicote’ durante as votações que ocorreram na última semana, entre os dias 21 e 23 de julho.
Entre os principais pontos levantados por Edimar está o fato do atual presidente, que foi candidato à reeleição pela Chapa 1 – a única chapa – também ter presidido a comissão eleitoral responsável por conduzir o processo que, na avaliação do ex-presidente, poderia comprometer a imparcialidade no processo.
– A eleição do Sindicato dos Metalúrgicos do Sul Fluminense foi realizada em meio a questionamentos que não podem ser ignorados. Quando apenas uma chapa consegue disputar, enquanto outras tentativas de inscrição são barradas ou inviabilizadas, a categoria perde a possibilidade de escolher livremente seus representantes – afirmou Edimar, que também acrescentou a não disponibilidade do estatuto que rege o sindicato.
Ausência do estatuto
– Outro ponto que merece atenção é a ausência do estatuto vigente na página oficial do sindicato. O documento estabelece as regras de funcionamento da entidade, define os direitos dos associados e orienta o processo eleitoral. Mesmo assim, os trabalhadores não encontram, de forma clara e acessível, o estatuto que deveria orientar a eleição. Essa falta de transparência impede que a própria categoria confira se as regras utilizadas estão de acordo com o documento registrado em cartório – afirmou.
A Redação visitou o site da entidade (https://sindmetalsf.org.br) e não localizou o estatuto disponível para acesso. Ainda, por meio de mecanismos de busca via Google, não foi encontrado qualquer arquivo que indicasse as regras que regem o sindicato.
Aumento da contribuição
O ex-presidente ainda aponta insatisfação dos funcionários que comentam as publicações nas redes sociais dos perfis oficiais da entidade, com alegações sobre a atual gestão. “Os trabalhadores também questionam o aumento da contribuição sindical e afirmam que, apesar da cobrança maior, não receberam uma defesa proporcional de seus salários, empregos e direitos. A contribuição só faz sentido quando retorna para a categoria em forma de mobilização, proteção, assistência e conquistas”, disse.
Outro questionamento é quanto a parcela que elegeu Odair, que recebeu 1.195 votos. Somente de uma das empresas representadas pela entidade, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), contribui com quase 20 mil vagas de emprego diretas, ou seja, que representaria apenas 6% da categoria na empresa.
Vale destacar, no entanto, que o eleitorado é composto pelos associados aptos e não por todos os funcionários da categoria.
Sindicato descarta possíveis ilegalidades
A Chapa 1, liderada por Odair Mariano, foi a única registrada para disputar o pleito e recebeu o equivalente a 85% dos votos válidos, que definiu a continuidade da diretoria para o mandato de 2026 a 2030.
O advogado do sindicato, Álvaro Quintão, ressaltou a lisura da eleição e de que o processo eleitoral foi conduzido com respeito ao estatuto da entidade, à legislação vigente e aos princípios democráticos.
A entidade representa trabalhadores de indústrias metalúrgicas, mecânicas, de material elétrico, de material eletroeletrônico e de informática de Barra Mansa, Volta Redonda, Resende, Itatiaia, Quatis, Porto Real e Pinheiral.