Por Lanna Silveira
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Chegamos no início de fevereiro e uma das maiores incógnitas do ano ainda está sem resolução: qual artista será a atração da edição de 2026 do megashow “Todo Mundo no Rio”. Em apenas duas edições, a proposta do show gratuito na Praia de Copacabana já se tornou um fenômeno cultural brasileiro; duas das maiores estrelas da música pop, Madonna e Lady Gaga, aceitaram comandar o palco e arrastaram consigo multidões de milhões de pessoas.
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A data do show já foi confirmada para o dia 2 de maio. O artista, entretanto, ainda é um mistério. Embora os nomes de Gaga e Madonna só tenham sido anunciados oficialmente na altura dos meses de fevereiro e março de seus respectivos anos, a especulação e o clima de certeza de que elas viriam já se estendiam há meses. Dessa vez, diferentes artistas estão sendo levantados – alguns deles chegaram a ser confirmados em supostos furos.
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Supostas confirmações
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A sensação do público após o show da Gaga, que reuniu mais de duas milhões de pessoas na praia, foi de que qualquer próxima atração deveria ter um nível gigantesco de “star power“. Os fãs de música pop começaram a pedir pela vinda de outras gigantes da indústria, como Taylor Swift, Beyoncé e Adele. Foi considerada, também, a possibilidade de uma mudança de ares com a aposta em grandes nomes do rock, como Paul McCartney e U2. A virada para o rock, inclusive, já foi demonstrada abertamente como um interesse do prefeito Eduardo Paes.
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Desde a chegada de 2026, duas artistas vêm sendo fortemente apontadas pela mídia como possibilidades para esta edição: Shakira e Britney Spears. O nome de Shakira foi agitado pelo próprio Eduardo Paes, que postou um vídeo da cantora em suas redes sociais no início de janeiro. A cantora também tem um longo histórico de passagens pelo Brasil, o que torna a sugestão crível. Britney, por sua vez, tem sido sugerida pelos fãs desde 2024: a esperança, para eles, é de que a proposta de um megashow a incentive a voltar aos palcos pela última vez. A colunista Fábia Oliveira, do Metrópoles, chegou a garantir que Spears seria a escolhida na última segunda-feira (26).
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Na última sexta-feira (30), outro colunista do Metrópolis, Lucas Pasin, divulgou mais uma suposta confirmação: Justin Bieber. Segundo fontes do repórter, Eduardo Paes teria soltado escalação do cantor ao conversar com vendedores de uma loja de shopping sobre o evento. Nomes como Rihanna e Beyoncé também teriam sido descartados durante esse encontro. Bieber não volta ao Brasil desde sua passagem pelo Rock in Rio, em 2022, mas já tem apresentações marcadas para 2026 no Coachella e no Grammy. Ativo nos palcos e com uma performance já elaborada, seria possível que ele aceitasse a proposta de Copacabana.
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Nenhuma das “confirmações” do Metrópoles foi endossada pela Prefeitura do Rio de Janeiro ou pela Bonus Track, responsável por produzir o show. Entretanto, o perfil oficial da Prefeitura do Rio de Janeiro no X/Twitter vem ironizando a dúvida dos fãs durante o fim de semana.
Oh, baby, baby… (não disse que "baby", vc lê no ritmo que quiser)
— Prefeitura do Rio (@Prefeitura_Rio) January 30, 2026
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Nomes mais queridos
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O Correio Sul Fluminense conversou com amantes de música e frequentadores do Todo Mundo no Rio para saber quem eles gostariam que viesse não somente em 2026, como em edições futuras. A maioria esmagadora dos entrevistados escolheu Britney Spears por motivos variados: desde torcer por um comeback da musa, que não se apresenta ao vivo desde 2018 e lançou seu último álbum em 2016, até acreditar que ela merece ser acolhida por uma multidão após anos de tutela e falta de liberdade pessoal e artística.
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Os fatores “retorno aos palcos” e “inacessibilidade” são comuns entre a maioria das sugestões populares. Nomes como Rihanna e Black Eyed Peas (com Fergie), que acumulam hiatos musicais de anos, foram bastante citados. Como esperado, Beyoncé também foi uma forte candidata: além de acreditarem em sua capacidade de segurar um show dessa magnitude, os entrevistados acreditam que ela seja uma das poucas artistas capazes de movimentar as mesmas multidões de Madonna e Gaga. Shakira, que é uma das especulações mais fortes para 2026 até o momento, também despertou interesse.
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Os “desqueridos”
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Apesar do já citado interesse de Eduardo Paes em desviar o “Todo Mundo no Rio” do eixo artistas pop/femininas, nomes de diferentes gêneros musicais foram pouco citados ou diretamente rejeitados pelos entrevistados. Entre os nomes do rock que já foram citados como possibilidades, apenas Paul McCartney chegou a ser mencionado como interessante para o público. O U2, por sua vez, recebeu uma negativa enorme, chegando a ser citado junto ao Coldplay — grupo que tem conquistado uma certa reputação de “banda chata” nos últimos anos. Muitos consideram o repertório da banda “cansativo” e não acreditam que o público-alvo criará uma atmosfera interessante na praia. Outro nome que recebeu certo nível de reprovação foi o de Britney: não pela falta de interesse em assistí-la, mas pela preocupação com a sua saúde mental ao precisar se preparar para um evento desse tamanho.
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O mais novo confirmado do Metrópoles, Justin Bieber, também não foi bem aceito pela maioria dos entrevistados. Embora o público acredite que ele seja uma escolha interessante do ponto de vista dos organizadores e possa lotar a praia, muitos deles não acreditam que ele tenha um repertório sólido para conquistar quem não faz parte de seu grupo de fãs. Além disso, algumas pessoas questionaram a sua habilidade para segurar uma apresentação ao vivo. Uma das entrevistadas afirmou que o show, provavelmente, será “extremamente relaxado, como tudo que Bieber tem entregado nos últimos anos”; outros o classificaram, simplesmente, como “uó”.
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As nossas apostas e preferências
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Entre os três artistas mais especulados nas últimas semanas, Justin Bieber é o menos interessante para um público geral. É inegável que o nome dele seja de peso: são 15 anos de carreira, com hits em diferentes eras e uma base de fãs bastante sólida. Entretanto, o cantor anda um pouco sumido em termos de sucesso global; seu último álbum, Swag, chegou e partiu sem muito alarde. No quesito performance ao vivo, sua última apresentação no Brasil não deixa expectativas muito altas. O nome faria sentido há dez anos atrás – época em que ele estava muito em alta e em uma rotina mais constante de apresentações ao vivo. Hoje, a maior chance é que ele faça um show de grande agrado para os fãs, e somente eles.
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Shakira pode não ser a escolha mais óbvia entre as várias possibilidades de artistas pop femininas para trazer à praia, mas certamente ofereceria um espetáculo ao nível de um megashow. O repertório da artista é bastante mais diverso e apelativo à diferentes públicos, com inúmeros hits ao longo de suas três décadas de carreira – inclusive com um bem recente: “Shakira: Bzrp Music Sessions, Vol. 53/66” (também conhecido como a diss track para o Piquet). Com a renascença da cultura dos anos 2000 nas redes sociais, gerações mais novas também estão bem familiares com seus hits mais antigos. Ao vivo, ela ainda está bem ativa e muito em forma, como comprovada em sua apresentação com J-Lo no Superbowl de 2020. Seria uma escolha acertada para 2026 ou edições futuras.
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Britney Spears é um tópico complicado. Muitas coisas são verdade ao mesmo tempo: Britney foi uma das maiores performers do seu tempo. Britney raramente cantava ao vivo, mas também não era incentivada a isso. Depois de duas lesões graves no joelho, Britney não conseguia mais dançar como nos primeiros anos de carreira, o que fez suas performances perderem um pouco do brilho. Entretanto, na era Glory, ela estava conseguindo evoluir a complexidade de suas coreografias e entregar apresentações bonitas de assistir.
O lado artístico da Britney também vinha sendo diretamente impactado pelo seu estado forçado de tutela, que começou em 2008 e terminou apenas em 2021. Antes disso, a cantora já havia se distanciado da música e dos palcos, e o fim da tutela a fez se fechar cada vez mais em sua vida pessoal.
Segurar um megashow, com uma audiência de milhões de pessoas e projeção mundial, seria um desafio para Britney: uma artista que está se recuperando de mais de uma década de traumas, está longe dos palcos há oito anos e possui um histórico negativo com a mídia – especialmente, em relação a críticas sobre suas performances ao vivo. Entretanto, caso a própria Britney entenda que está preparada para assumir esse compromisso, seria interessante ver o que ela tem a oferecer a essa altura de sua vida e carreira. O repertório dela, inegavelmente, apela a todas as gerações; a dança vinha evoluindo bastante e números ao vivo não são fora do possível.