Desaparecimentos na região mantêm famílias em incerteza

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Estudante de enfermagem segue desaparecido desde outubro e família continua a procura. Foto: Divulgação

Caso do motoboy Wesley expõe a dor da espera por respostas

Por Agatha Amorim

Desde a noite de 21 de outubro de 2025, a rotina da família do motoboy Wesley dos Santos Silva Henrique, de 30 anos, mudou completamente. Estudante de Enfermagem, ele conciliava os estudos com o trabalho como motoboy por aplicativo quando desapareceu em Volta Redonda. Passados quase três meses, Wesley ainda não foi encontrado, e a espera por respostas segue marcada pela incerteza.

“A gente fica devastado. A incerteza corrói”, resume a mãe, Rosilene dos Santos Silva, de 51 anos. Segundo ela, cada nova informação traz sentimentos contraditórios. “Cada vez que chega uma notícia, tudo machuca muito, porque não sabemos o que esperar”, desabafa.

Wesley desapareceu após sair do curso de Enfermagem. Ele realizava uma corrida de moto que teve início no bairro Retiro, com destino à Siderlândia, onde foi visto pela última vez. Desde então, a Polícia Civil investiga o caso. Quatro suspeitos foram identificados, sendo dois presos e dois ainda foragidos. Durante as investigações, os agentes localizaram o veículo e o celular da vítima.

Para a mãe, o desaparecimento mantém a família em um estado permanente de angústia. “O sentimento é de medo, desespero e muitas emoções. Para uma mãe, a incerteza é angustiante, porque não sabemos o que aconteceu de fato”, relata. Segundo ela, a ausência de confirmação impede até mesmo o processo de luto. “Não posso viver um luto, porque não sei se ele está morto. Também não posso me encher de esperança, para não perder a lucidez diante da realidade que pode vir.”

Um problema que persiste

Embora os registros de desaparecimento não tenham apresentado aumento significativo na comparação entre 2024 e 2025, os números nacionais seguem elevados. Em 2025, 77.041 pessoas foram registradas como desaparecidas no Brasil, uma média de 231 casos por dia. O estado de São Paulo lidera os registros, com 18.787 ocorrências. O Rio de Janeiro aparece em quarto lugar, com 5.762 casos.

A maioria dos desaparecidos é do sexo masculino, com 49.163 homens, enquanto 27.326 mulheres foram registradas. Pessoas com mais de 18 anos representam a maior parte dos casos, com 53.666 registros, enquanto crianças e adolescentes somam 21.871.

Os dados nacionais são reunidos pelo Sinesp-VDE, painel estatístico do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e pelo Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD), que integra informações e auxilia na localização de pessoas em todo o país.

O Ministério da Justiça reforça que não é necessário esperar 24 horas para registrar um desaparecimento. O boletim de ocorrência deve ser feito imediatamente, com o maior número possível de informações, e toda divulgação deve ser feita com cautela, utilizando apenas canais oficiais.

Quem tiver informações pode entrar em contato pelos telefones 197 ou 181 (Disque-Denúncia), além dos canais indicados no CNPD.