O ano finalmente virou e, apesar de ainda ser cedo, já dá para ficar ansioso com alguns lançamentos musicais que estão por vir ao longo de 2026. Para quem ainda não está por dentro, o Correio Sul Fluminense escolheu cinco trabalhos previstos para sair neste ano que trazem propostas com bastante potencial ou marcarão retornos interessantes na música.
Beyoncé
Ao que tudo indica, o terceiro e último ato do projeto musical conduzido por Beyoncé ao longo desta década, que visa trazer de volta o protagonismo negro a gêneros que nasceram da comunidade, será lançado em 2026. As expectativas para o disco, ainda sem nome, não poderiam ser maiores: seus antecessores, Renaissance (2022) e Cowboy Carter (2024), apresentaram resultados excelentes em seus respectivos gêneros, rendendo duas indicações à categoria de “Álbum do Ano” no Grammy (com uma vitória).
Embora nada tenha sido confirmado oficialmente, especula-se que o terceiro ato explorará vertentes do rock n’ roll. Parte dos fãs vêm teorizando que a sonoridade será inspirada em estilos do soul e r&b mesclados com hard rock, glam metal e pop rock, levando como referência a obra de artistas negras de peso no rock, como Tina Turner, e abordagens passadas de artistas pop que decidiram explorar o gênero (como “Dirty Diana”, de Michael Jackson).
Nós, do Correio Sul Fluminense, temos uma aposta diferente: é possível que o terceiro ato compartilhe de algumas marcas de estilo exploradas em seu álbum antecessor, Cowboy Carter, apostando em referências do blues rock, folk rock e psicodélico, trazendo ainda influências do soul e do funk rock. Possíveis referências seriam obras de artistas como Jimmy Hendrix, Funkadelic, Derek and the Dominos e Chuck Berry.
Madonna
Após o lançamento de dois discos sonoramente confusos e um hiato de mais de cinco anos, Madonna voltou aos estúdios com o produtor Stuart Price com uma promessa avassaladora: lançar uma nova versão do aclamadíssimo Confessions On a Dance Floor (2005)- um clássico do eletropop. Em um período em que a música pop tem sido bastante dominada por projetos que celebram a vida noturna em batidas eletrônicas frenéticas, a proposta de Madonna faz sentido: o Confessions “original” é uma grande ode às pistas de dança, trazendo uma roupagem atualizada a influências eletrônicas dos anos 70 e 80. As expectativas altas, entretanto, podem jogar contra o disco caso o resultado não seja satisfatório.
O trabalho da Madonna costuma apresentar maior coesão quando é auxiliado por uma lista pequena de produtores: desde Hard Candy (2008), considerado por muitos como o primeiro grande deslize da artista, essa ficha técnica só aumenta. Por aqui, acreditamos que as chances de sucesso com o novo álbum são grandes caso o Stuart Price realmente seja o maior responsável por sua produção; principalmente considerando a qualidade de últimos lançamentos dele, como o Future Nostalgia (2020), da Dua Lipa, e That! Feels Good! (2023), da Jessie Ware.
Charli XCX
Em 2025, a Charli prometeu que seu próximo álbum seria “anti-Brat”, oferecendo uma proposta completamente diferente de sua era “party girl”. Aparentemente, isso irá se cumprir em “Wuthering Heights”: a trilha sonora do futuro filme de mesmo nome, dirigido por Emerald Fennell, que será inteiramente composta e interpretada pela Charli.
Duas músicas do futuro trabalho já foram lançadas e suas sonoridades destoam completamente da proposta club pop de Brat: enquanto “House (feat. John Cale)” remete ao estilo de artistas como Bjork e Lingua Ignota, “Chains of Love” tem o mesmo estilo de produção pop experimental do primeiro álbum da Charli, True Romance (2012).
Embora este não seja um lançamento próprio de Charli, o álbum parece apresentar um nível de experimentalismo diferente do que a artista vem apresentando em seus últimos projetos; estamos na expectativa para acompanhar os resultados dessa nova investida.
FBC
Mesmo com o lançamento recente do álbum Assaltos e Batidas (2025), FBC não vai deixar seu público carente por muito tempo: foi anunciado o lançamento de “Os Porcos Vem Aí” para 2026. O trabalho será o primeiro de sua carreira profissional a explorar as vertentes rock: um gênero que foi explorado de forma amadora por Fabrício no início de sua carreira, mas que nunca marcou presença em seus álbuns de estúdio. Uma pequena prévia da proposta a ser apresentada pelo álbum já foi divulgada pelo artista nas redes sociais: um trecho da canção “Canudos”, cujo instrumental flerta com subgêneros do rock como hardcore, metal e nu-metal.
Em entrevista ao Correio Sul Fluminense, FBC explicou que a letra desta canção, que expõe todas as reivindicações sociais levantadas pela histórica Guerra de Canudos, é um reflexo da necessidade que ele sente em produzir mais um trabalho que dê voz às insatisfações do povo brasileiro, usando a agressividade do rock como um canal de “grito”.
Massive Attack
Após cinco anos de poucas movimentações, a dupla britânica de trip hop e eletrônica Massive Attack fez muito barulho em 2025: partindo em uma turnê de shows carregados de protesto social, os artistas decidiram boicotar abertamente a plataforma Spotify devido ao envolvimento de seu CEO, Daniel Ek, na empresa Helsing, que é especializada em tecnologia militar com inteligência artificial. Além de fazer parte do movimento “No Music For Genocide”, em que uma série de artistas decidiu retirar seu catálogo musical disponível no território de Israel, a dupla decidiu abandonar completamente o Spotify e aderir a outras plataformas de streaming.
Em meio a isso tudo, os artistas anunciaram em suas redes sociais que lançarão, em 2026, uma série de músicas produzidas por eles em anos recentes. A dupla não lança materiais inéditos desde 2016, com o EP Ritual Spirit e duas faixas avulsas; seu último álbum completo de estúdio, Heligoland, foi lançado há mais de 15 anos.
Em um período em que o trip hop está em voga entre artistas populares, sendo visto em trabalhos recentes de artistas como Erika de Casier, Yeule e até mesmo Addison Rae, será interessante descobrir como o Massive Attack, que foi pioneiro na consolidação e popularização do gênero, interpretará o estilo a partir das influências e tendências contemporâneas.